SALVADOR
Um bairro no centro onde quase tudo mudou
Roças, hortas, muito verde e clima interiorano. Barris era assim no século XIX. Perto do centro e ao mesmo tempo longe, porque não existia as vias de ligação. As residências eram poucas e o Vale dos Barris era dominado por plantações hortaliças e árvores frutíferas. Havia também uma fonte, muito usada pelas famílias quando faltava água. Os militares também se concentraram por bom tempo no bairro. Lá estava o Quartel de Cavalaria da Polícia Militar da Bahia, que abrangia parte da área onde hoje é a Praça Almirante Coelho Neto.
A Rua Almeida Santos, região abaixo da praça, conhecida antes como Roça dos Lobos, era habitada por descendentes de militares. Pouco havia de construções. A Escola Nossa Senhora do Salete, hoje instituto, foi uma das primeiras edificações do bairro, em 1858. A conhecida Rua do Salete chamava-se Rua dos Currais Velhos. “Nessa época, só havia pomar, mangueira, a Roça dos Lobos e muita gente pobre”, relata a irmã Maria Helena Azevedo, atual diretora da instituição.
Na região da Biblioteca Central, de acordo com moradores mais antigos, estava localizada a roça da família portuguesa Ferreira Moreira, desapropriada mais tarde pelo Estado. Em 1905, a Fundação Visconde de Cairu se instalou no bairro, em área à frente do Salete, com a proposta de formar jovens para cargos de chefia.
Lembranças – As histórias e casos dos Barris são lembranças relatadas por antigos moradores, como Adalberto Félix, 84 anos. Desde 1939 ele mora no bairro, no terceiro casarão construído, conforme informa. A construção obedece ao estilo colonial alemão e foi lá que seu pai, o libanês Miguel Félix, morou com os 12 filhos. “Em 1939, a Caixa Econômica comprou a área do quartel e loteou, facilitando o pagamento para muita gente”, conta. Na rua da praça, oito casarões foram construídos. “As famílias sentavam nos passeios e ficavam horas conversando”.
Até a década de 50, não existia ligações do bairro com o centro da cidade como existe hoje. O Vale dos Barris foi construído somente na década de 70, sendo o Viaduto de São Raimundo uma das primeiras ligações. Nesse período, o bairro inicia uma nova fase e passa por rápidas transformações até chegar à mistura que representa hoje: residencial, comercial, cultural e com forte marca educacional. Um dos primeiros sinais de mudança foi a construção da sede da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, em 1970.
A biblioteca aumentou o fluxo de pessoas nos Barris. No início da década de 80, a construção da Estação da Lapa contribui também para o novo perfil do bairro. Surgem edificações, alimentadas pela facilidade do transporte público. Instituições de educação se firmam no bairro, tanto públicas quanto particulares. Pouco tempo depois, em 1985, a chegada do Shopping Piedade e, em 1996, do Center Lapa, fortalece o caráter comercial dos Barris.
Nessa mesma década, o Complexo Policial dos Barris é instalado no vale. Seguindo uma linha arquitetônica de forma arredondada, o complexo abriga o Departamento de Tóxicos e Entorpecentes e sua respectiva delegacia (DTE), a Delegacia de Homicídios (DH) e a 1ª Circunscrição Policial (1ª CP).
As famílias tradicionais começam a se mudar para Pituba, Canela, Barra. “Nesses locais, haviam iniciado a construção de prédios grandes e a novidade era morar em apartamento”, lembra a professora Flor de Liz Couto, nascida e criada no bairro. Os casarões coloniais são vendidos e alugados para clínicas, casas comerciais, instituições de ensino, sindicatos, conselhos profissionais. Na rua da Praça Almirante Coelho Neto, por exemplo, dos oito casarões existentes, apenas um, o de Adalberto Félix, continua sendo residencial.
A Rua Junqueira Ayres também perde as famílias que lá moravam e ganha intenso comércio. “Aumenta o movimento, mas também ganhamos nosso conforto para ir às compras, são vantagens e desvantagens”, opina Flor de Liz, que considera os Barris um local “maravilhoso para se morar”.
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