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Unesco orienta gestão do Centro

Publicado terça-feira, 22 de abril de 2008 às 23:13 h | Atualizado em 22/04/2008, 23:13 | Autor: Mary Weinstein, do A Tarde
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O representante da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, Vincent Defourny, assinou nesta terça-feira, 22, um convênio de cooperação técnica com o governo do Estado, que tira do próprio tesouro R$ 1,4 milhão para a elaboração de um plano de sustentabilidade para o Centro Antigo de Salvador. A solenidade aconteceu na Sala de Atos da Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia.



A quantia servirá para financiar estudos e projetos que o Escritório de Referência do Centro Antigo, instalado há sete meses no Pelourinho, precisa para desenvolver e impulsionar a economia da área.



Defourny lembrou que o escritório da Unesco, também no Pelourinho, estava para ser desativado e que, diante da nova proposta de gestão do governo, permanecerá atuante regionalmente. O representante da Unesco no Brasil citou a recuperação do Centro de Quito (Equador) como exemplo para o trabalho que será feito aqui. Mas fez questão de ressaltar que cada caso é diferente do outro e que o de Salvador é desafiador.



“Cultura é patrimônio mais do que prazer estético”, disse ele, para em seguida enfatizar que a vontade, dessa vez, “é compartilhar a gestão com vários atores”, incluindo à própria população moradora e freqüentadora das ladeiras e becos da região.



A assinatura do convênio foi solene com o auditório repleto de autoridades. O governador Jaques Wagner manteve o discurso de que o Pelourinho não pode ser replanejado somente para acolher turistas. “A Unesco, com sua bandeira e marca, traz consigo uma experiência mundial, alavancadora. Nós não seremos lembrados só pelas obras de cimento, mas também pelo que fizermos pelo imaterial”, disse o governador.



Em alusão ao que foi feito no passado, Wagner afirmou que a atual política não é de assepsia social: “O Pelourinho vai ficar bom para o Convento (hotel de luxo da bandeira Pestana) e para a Nova Esperança (lugar conhecido como Rocinha, onde mora uma população de baixo poder aquisitivo)”.



O representante dessa comunidade, Ednaldo Sá – que sentou ao lado do governador, do secretário de Cultura, Márcio Meirelles, do representante da Unesco e do grupo Pestana – mostrou-se impressionado. “Pela primeira vez, eu estou vendo integração, com a comunidade participando. Este governo está olhando de uma forma que ninguém jamais olhou. Esse deveria servir como um projeto piloto para a periferia”, sugeriu.



Vários interessados diretos assistiram à assinatura do acordo de parceira. A proprietária do Albergue das Laranjeiras, Patrícia Garcia, e a da Galeria Oxum, Solange Bernabó, representaram a associação Chama, do Centro Histórico, e estavam

curiosas para saber em que o convênio será benéfico.



“A expectativa é que as coisas comecem a acontecer, porque esse projeto vem se arrastando há mais de 10 anos. Neste governo, essa revitalização precisa ser colocada em prática, inclusive na Baixa dos Sapateiros, que tem muitos casarões”, disse o presidente da Associação de Lojistas da Baixa dos Sapateiros (Albasa), Cosme Brito.

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