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Vítima de abusos de líder religioso desabafa: "ele é um criminoso"

Tatiana Amorim Badaró conversou com reportagem do Portal A Tarde sobre a relação com Jair Tércio

Leo Moreira
Por Leo Moreira
| Atualizada em
Justiça aumentou pena de 13 para 17 anos de reclusão por crimes de estupro
Justiça aumentou pena de 13 para 17 anos de reclusão por crimes de estupro - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Apesar da condenação e do aumento da pena de reclusão de 13 anos e quatro meses para 17 anos e seis meses, o líder espiritual Jair Tércio Cunha Costa permanece fora das grades. Isso porque o ex-grão-mestre de uma Loja Maçônica na Bahia nunca foi localizado pelas forças policiais. Durante o processo, ele até forneceu um endereço, porém, nunca foi encontrado.

Em conversa ao Portal A TARDE, a primeira vítima a denunciar os crimes sexuais da liderança religiosa, questiona quem estaria por trás do sumiço do condenado. "Importante saber quem é quem está financiando Jair para que ele fique foragido? Isso importa muito mais pela função dessa, ou dessas pessoas, do que pela revelia de Jair Tércio", questiona Tatiana Amorim Badaró.

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No entanto, para Tatiana, só o fato dele ter sido condenado pela Justiça já é uma vitória. "Para mim é irrelevante ele estar ou não foragido, o que importa é o fato da condenação e sentença, ou seja, o registro jurídico de que ele é um criminoso. Então, minha expectativa é pelo trânsito em julgado. Uma pessoa como ele estar foragida já é, em si, uma prisão".

Pra mim é muito mais impactante o fato de derrubarem a tipificação de estupro de vulnerável. Meu medo é dos criminosos que se passam por gurus e ainda não foram denunciados.

Tatiana Amorim Badaró - Uma das denunciantes

Caso

Jair Tércio Cunha Costa era grão-mestre de uma loja maçônica na Bahia e desenvolvia uma doutrina pedagógica estudada em retiros espirituais promovidos por ele toda semana.

Em 2020, Jair Tércio passou a ser alvo do Ministério Público após denúncias de crimes sexuais contra seguidores serem relatados. Na época, uma da vítima relatou era privada de tudo. "Eu só podia viver o que ele queria que eu vivesse. Eu não podia usar biquíni, ir à praia, ir para festas, encontrar meus amigos de infância. Até encontros de família, ele dizia para eu ir o mínimo possível. Eu não tinha vida fora da Fundação”.

Ao todo, 14 mulheres denunciaram formalmente Jair Tércio por abusos sexuais e psicológicos. Em setembro daquele ano, o MP deflagrou a "Operação Fariseu", que buscava cumprir mandado de prisão preventiva contra ele, porém, nunca foi encontrado.

"Desde que começamos a apurar o caso, ele se evadiu do local onde ele havia dado como sua residência. Então hoje é considerado como foragido da Justiça", explicou a promotora de Justiça Sara Gama.

O Portal A TARDE não localizou a defesa de Jair Tércio.

Promotora explica o caso:

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