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Baleia encalha na Bahia e parece "chorar" em vídeo

Devido a ferimentos, animal encalhado em praia de São Francisco do Conde pode ser sacrificado

Publicado segunda-feira, 17 de julho de 2023 às 09:50 h | Atualizado em 17/07/2023, 11:31 | Autor: Bianca Carneiro
"Choro”, na verdade, é um óleo produzido por glândulas nos olhos das baleias para lubrificação
"Choro”, na verdade, é um óleo produzido por glândulas nos olhos das baleias para lubrificação -

Um vídeo de uma baleia encalhada, registrado em uma praia da Bahia, deixou a internet comovida, neste domingo, 16. Na filmagem, o animal parece chorar por causa do encalhe.

O caso aconteceu em São Francisco do Conde, cidade da Região Metropolitana de Salvador, na praia do Caípe, próximo a Refinaria de Mataripe. No vídeo, feito por moradores, é possível visualizar um líquido saindo dos olhos da baleia e ouvir um dos moradores dizendo: "dá até para ver as lágrimas". O “choro”, na verdade, é um óleo produzido por glândulas nos olhos das baleias para lubrificação. 

Ao Portal A TARDE, o coordenador de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, explicou que a baleia do vídeo é a primeira que encalhou na Bahia neste ano. Ela está ferida e pode precisar de eutanásia. 

“Essa baleia tinha um quadro de desorientação. Ela, mesmo quando foi colocada em água mais funda, tendia a sempre ir para água mais rasa, sempre cada vez mais para dentro do fundo da baía. E aí, quando a maré baixava, uma parte do corpo dela ficava exposta ao sol, e ela começou a ter queimadura no dorso, apesar do pessoal ficar mantendo ela molhada, mas chegando a formar ferida realmente. E no processo de desencalhe que foi feito sexta-feira, o pessoal observou que ela não não mexia uma das nadadeiras peitorais”, descreveu. 

Segundo Milton, o problema nas nadadeiras pode ter sido causado por diversos fatores. Ele ressalta que, quanto maior o tempo de encalhe, mais crítica a situação fica para a baleia, dificultando o atendimento por parte da equipe especializada.

“Isso pode ser um problema do animal ter uma luxação, pode ser uma fratura. Pode ser por ter ficado muito tempo tombado em cima daquela peitoral e ter comprometido a inervação. Enfim, de fato ela não estava mexendo uma das peitorais. E quanto mais tempo o animal passa encalhado, mais vai deteriorando o quadro dele, vai sofrendo um estresse prolongado, isso afeta, muitas vezes, a resposta imunológica desse animal e o quadro dele está piorando dia após dia e mesmo quando a gente coloca ele em água funda, ele vira e volta para água rasa”, pontua. 

 

  

Alta da população de baleias

Até este mês de julho, o Brasil havia registrado 13 encalhes de baleias jubarte. Desses, apenas dois foram na Bahia. Além da baleia no vídeo, o segundo foi de um filhote no sábado, 15, na orla de Nova Viçosa. Sobre o animal, Marcondes disse que equipes do projeto estão monitorando a região a fim de identificar novos encalhes.

“A gente teve um segundo encalhe, um filhote vivo também aqui em Nova Viçosa, no sábado e foi logo quando entrou a frente fria e o vento ficou muito forte. Ele pode ter se desgarrado da mãe ou já estando separado, o vento jogou ele na praia. As pessoas da própria comunidade devolveram o animal para água [...] A gente tem monitorado a região agora para ver se esse filhote vai voltar a encalhar e como se trata de um filhote, lactente, que depende da mãe para alimentação, se ele não encontra a mãe, ele não tem como sobreviver”, explicou.

De acordo com Milton, os casos de encalhe estão diretamente ligados ao aumento da população de jubartes no país. Para ele, existem situações que são naturais, mas é preciso ficar de olho no que pode ser evitável.

“São situações bem tristes, quando a gente tem esses encalhes de animal vivo, mas precisamos lembrar que a população de jubarte cresceu muito. A gente está com mais de 30 mil jubartes no Brasil, que é uma notícia assim, fantástica, né? A gente tinha, em 2003, cerca de 3.400, então, tem 10 vezes mais. Então, com isso, a quantidade de baleias que encalham acaba aumentando também, porque a população é maior, né? A gente acaba tendo mais indivíduos que, ou por causas naturais, como doença, filhotinho que se separa da mãe e velhice, acabam morrendo, encalhando e também mais casos de animais que estão sujeitos a problemas com ser humano, como por exemplo, ficar preso numa rede de pesca, esse atropelado por um navio e, com isso acaba encalhando”, ressalta.

“Faz parte, essa primeira parte de morte natural faz parte do ciclo da vida desses bichos. A gente não tem o que fazer. Com a segunda parte, perder a mortalidade causada pela gente, aí sim, a gente tem que buscar soluções, prevenir em equipamento de pesca e tentar reduzir o risco de colisão de navios com com baleias, principalmente essas duas. Poluição também, plástico, esse tipo de coisa também pode afetar baleias e golfinhos. Jubarte, menos porque ela não está no período de alimentação aqui no Brasil, então ela não vai abrir a boca muito para se alimentar e a chance dela ingerir plástico é menor. Mas é sempre um problema.”, completa.

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