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Compra de livros gera suspeitas na cidade

Publicado domingo, 16 de junho de 2019 às 12:15 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Roberto Aguiar e Bruno Luiz Santos
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A quantidade de alguns livros didáticos comprados pelas duas empresas vencedoras do processo licitatório não coincide com o número de estudantes matriculados na rede pública de Pilão Arcado.

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Os exemplares começaram a ser adquiridos ainda em 2018, já que a empresa Pedagógica Produtos e Soluções Educacionais, do empresário Alexandre de Oliveira Nascimento, de Brejão (PE), recebeu R$ 1.128.900,00 em pagamentos realizados nos dias 16 de novembro e 7 de dezembro.

Foram comprados 1.100 exemplares do livro Educando para o Meio Ambiente - 5º ano. Mas, de acordo com Censo do Inep, eram 826 alunos matriculados. Foram adquiridos 820 livros do professor dessa coleção. Contudo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 436 professores do ensino fundamental na rede pública.

Os números se repetem na coleção Brasil Plural comprada pela ABC Cultural Editora Ltda, a outra vencedora da licitação. Com sede em Campina Grande (PB), a empresa assinou um contrato no valor de R$ 953.770,00. Em abril, a prefeitura executou o pagamento total do contrato.

O vereador da oposição Antônio Medeiros (PCdoB) tem questionado os valores investidos. ”Não sabemos quais foram os parâmetros usados para a compra dos livros, já que os números não batem. Já reuni com a secretária de Educação, mas até hoje não recebi os dados solicitados. Quais escolas receberam o material didático? Quantos livros já foram distribuídos? Nada é esclarecido", ressaltou.

A equipe de reportagem foi duas vezes à sede da secretaria de educação e à prefeitura, mas em ambos os casos foi informada que a secretária Rosimeire Rocha e o prefeito Afonso Mangueira não estavam no município.

Em nota, a prefeitura defende que “a quantidade de livros contempla o número de alunos matriculados na rede municipal de acordo com os registros do ano de 2019, bem como o número de profissionais do magistério concursados e contratados”.

Biblioteca

Quem vai à Biblioteca Municipal Wilson Lins não consegue usar os serviços, pois o espaço nunca foi aberto ao público. A prefeitura paga mensalmente R$ 850 pelo aluguel do imóvel. “Há mais de dois anos que se paga aluguel por espaço que está fechado. A biblioteca com as portas trancadas é o exemplo maior do descaso que a atual gestão municipal tem com a educação”, afirmou Medeiros.

Em nota, a prefeitura respondeu que “a biblioteca funcionou por um determinado período e está fechada para reforma. O município está adquirindo acervo e mobiliário adequado para reabri-la”.

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