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BAHIA

Denúncias revelam sucateamento de escola municipal no Vale do Capão

Mães e professores relatam falta de transporte, merenda precária e exclusão de alunos TEA

Isabela Cardoso

Por Isabela Cardoso

03/03/2026 - 6:15 h

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Escola de Caeté-Açu vive crise com estrutura abandonada
Escola de Caeté-Açu vive crise com estrutura abandonada -

O Vale do Capão é conhecido por suas trilhas e cachoeiras, mas para quem vive no distrito, a paisagem exuberante esconde uma realidade árida: o colapso da Escola Municipal de 1º Grau de Caeté-Açu. Relatos de mães e profissionais revelam um cenário de "maquiagens" estruturais e uma negligência que atravessa gestões.

Este cenário, no entanto, não é novidade. A população já vem denunciando o estado da unidade há anos. Em fevereiro 2024, a escola já havia iniciado o ano letivo sem aulas, devido às condições precárias das estradas que impediam o acesso e à falta de manutenção básica na estrutura física.

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Em março do mesmo ano, os professores deflagraram uma greve de 42 dias reivindicando o piso salarial e condições dignas de trabalho. Dois anos depois, profissionais relatam que, embora o piso tenha sido conquistado, a dignidade laboral e os valores retroativos seguem pendentes.

Sucateamento da escola de Caeté-Açu mobiliza famílias no Vale do Capão
Sucateamento da escola de Caeté-Açu mobiliza famílias no Vale do Capão | Foto: Arquivo Pessoal

O transporte que não chega

Para muitas famílias, o ano letivo de 2026 começou com uma promessa descumprida. Edmara dos Santos Silva Vieira, mãe de duas alunas de 4 e 8 anos, relata que o transporte escolar, prometido em reuniões oficiais, nunca apareceu.

"Todos os dias elas vão para a escola caminhando porque desde que começou essas aulas não está tendo esse transporte... Tem um grupo de WhatsApp da escola, já perguntei várias vezes e fico no vácuo, não recebo um retorno se tem ou se não tem. Já fui até a Secretaria também, já perguntei, mas continuo sem resposta. Infelizmente é complicada a situação, a gente fica frustrada com essas coisas. Ano passado foi a mesma coisa, no início de aula não tinha esse transporte e esse ano tornou-se repetir", desabafa Edmara.

A falta de monitoramento nos ônibus existentes também é um ponto crítico. Maria Aparecida Guanaes Leles, mãe de dois alunos, aponta que o serviço é irregular. "Tem hora que está tendo de manhã e outras vezes não tem à tarde".

Estrutura em "maquiagem"

A infraestrutura do prédio é descrita como insustentável. Relatos indicam que as reformas realizadas são apenas paliativas.

"Ontem também teve uma chuva lá na escola e o forro estava todo pingando, um forro novo. Se o forro é novo e continua pingando é porque não ajeitou direito o telhado. Tem que rever nesse telhado, rever também a quadra, que está precisando da manutenção. Na outra semana que tinha começado as aulas também, a escola tava um caos, eu fui lá uma tarde para poder dar uma ajuda. Estava uma quantidade absurda de lixo, uma desordem, mas eu espero que isso se resolva o mais rápido possível, porque os mais prejudicados nisso são os nossos filhos que estão ali", critica Maria Aparecida.

Um profissional da escola, que preferiu o anonimato, detalhou a precariedade:

  • Rampas com declive exagerado e arriscado.
  • Acúmulo de lixo, entulho e bens patrimoniais estragados pelos cantos.
  • Portas sem maçanetas, vidros quebrados, iluminação precária e falta de banheiros exclusivos para professores.
  • Quadra descoberta sujeita a alagamentos e sol excessivo.

O abismo da inclusão

O ponto mais sensível das denúncias diz respeito ao atendimento de crianças atípicas. Com cerca de 36 estudantes laudados, a escola dispõe de apenas dois auxiliares de ensino para toda a demanda.

Dandara, mãe de um menino autista de cinco anos, ressalta a falta de suporte adequado. "Não há um espaço apropriado para troca de fraldas nem um local seguro e adequado para que a criança possa ficar deitada quando necessário, o que compromete seu bem-estar e dignidade.

A questão da merenda escolar também agrava a exclusão. Segundo os relatos, o cardápio, muitas vezes restrito a biscoitos, sucos industriais e macarrão com calabresa, ignora as restrições sensoriais e médicas de alunos autistas, além de possuir baixo valor nutricional para crianças da zona rural.

"A merenda oferecida hoje não contempla as necessidades de crianças atípicas que possuem restrições alimentares, sejam elas por questões sensoriais, médicas ou outras condições. Não há opção ou adaptação na merenda, o que acaba excluindo essas crianças e dificultando sua permanência na escola", completa Dandara.

Caos pedagógico e desmotivação

A crise não é apenas física, mas pedagógica. Professores relatam trabalhar sob estresse extremo, acumulando funções e recebendo abaixo do piso nacional (no caso dos contratados). O último concurso público realizado no município data de 2009, o que gera uma rotatividade de profissionais que prejudica o vínculo com os alunos.

"A escola não tem nem o nome na frente. Não há um projeto pedagógico real que dialogue com as questões locais, como o meio ambiente", afirma um profissional do local, que preferiu não se identificar. "A função social da escola hoje parece ser apenas 'tapar o buraco' para os pais trabalharem, perdendo seu caráter formativo."

A equipe de reportagem do Portal A TARDE entrou em contato com a Secretaria de Educação de Palmeiras e aguarda um posicionamento.

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