CRISE ECONÔMICA
Falta de produto, impacto da guerra e novo aumento: entenda preço dos combustíveis na Bahia
Sindicombustíveis alerta para escassez de diesel em Salvador e novo aumento de 22% no etanol para a próxima terça, 24


A sequência de aumentos no preço dos combustíveis na Bahia, em curto espaço de tempo, tem sido motivo de reclamações de consumidores e até investigação do governo federal. Assim, o senso comum acaba apontando os postos como os grandes vilões da situação.
Em entrevista coletiva realizada na manhã desta quinta-feira, 19, o presidente do Sindicombustíveis Bahia, Glauco Mendes deu detalhes sobre a atual situação do mercado, explicou os reajustes, riscos e impactos para a economia e garantiu que os postos não são culpados, pois o aumento decorre da crise mundial.
Falta de diesel em postos de Salvador
"Nós estamos na ponta da cadeia. Nós temos um problema grave, que é a guerra, que vem a cada dia aumentando o barril de petróleo. O barril de petróleo fechou ontem a $ 110 dólares, hoje abriu a $ 115", explicou.
No início da guerra, há cerca de duas semanas, o petróleo estava sendo negociado a $ 62 dólares em média.
Na Bahia, a revenda é feita através da Acelen, que possui uma placa de preço e, às quartas-feiras anuncia os reajustes, que passam a ser aplicados às quintas.
Saiba como funciona o repasse dos combustíveis
- Petrobras vende para os distribuidores;
- Distribuidores vendem para os postos;
- Cada posto sem seu distribuidor e cada um tem seu custo específico;
- Baseado no preço da distribuidora, o valor é repassado para o consumidor.
Entenda como a guerra impacta diretamente o preço dos combustíveis
O preço do petróleo em todo o mundo está sendo afetado pela guerra no Oriente Médio, entre Israel e Estados Unidos contra o Irã. Do mesmo modo, o Brasil é diretamente impactado pelo conflito.
"A guerra é do outro lado do mundo, mas o Brasil ainda não é autossuficiente no diesel refinado. Nós ainda precisamos de 25%. Ou seja, nós compramos esse diesel. Com a guerra, o barril subiu o preço da sua cotação e impactou nesses 25%, que está causando esse transtorno financeiro a todo mundo", disse Glauco Mendes.
A guerra é do outro lado do mundo, mas o Brasil ainda não é autossuficiente no diesel refinado.
Glauco Mendes
Ou seja, o Brasil produz petróleo, vende o produto bruto e compra 25% do refinado. Para o representante, os próximos governos devem focar em criação de novas refinarias, para que o país se torne autossuficiente.
Novo aumento previsto
Segundo Glauco Mendes, há um novo aumento previsto para o etanol na próxima semana, o que pode impactar novamente no preço final da gasolina.
"O Governo do Estado vai aumentar o etanol que, por consequência, vai ter reflexo na gasolina, porque 30% da gasolina é composta por etanol. Vai aumentar em 10% de ICMS, ou seja, a partir do dia 24 vai vai ter um incremento de 22% no etanol", afirmou.
Na tentativa de retardar este aumento, o Sindicombustíveis tentará conversar com o Governo do Estado.
"Nós já conversamos com com o Secretário de Desenvolvimento Econômico, pedimos a sensibilidade. Eu sei que os governos passam também por apertos financeiros, mas nesse momento de guerra, todo mundo tem que ajudar", alertou.

Postos sem combustíveis
De acordo com Glauco, todo o problema tem provocado um novo caos: postos em Salvador estão sem diesel. Ainda não se sabe a causa efetiva do caso, mas a categoria avalia possibilidades.
"O capital de giro aumentou demais. Então, a gente não sabe se os postos estão sem produto porque a distribuidora não forneceu, ou porque o impacto econômico foi muito grande e ele está sem um recurso", explicou.
O presidente não especificou em quais postos os problemas foram identificados, mas garantiu que vários locais registraram o caso.
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Medidas do governo federal
O Governo Federal tomou uma atitude de reduzir o PIS/COFINS do diesel um percentual de R$ 0,32 por litro, o que no final fica R$ 0,29, porque não incide sobre o biodisel.
Além disso, há uma negociação com os estados para zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mas algumas unidades federativas ainda não deram respostas.
Independente da decisão, o presidente do Sindicombustíveis afirma que nenhuma medida será definitiva.
A guerra é do outro lado do mundo, mas o Brasil ainda não é autossuficiente no diesel refinado.
Glauco Mendes
"É um paliativo. Não vai resolver o problema, mas ajuda na ponta final do consumidor".
Para Mauro, a principal forma de reverter a situação é uma conversa envolvendo toda a cadeia: governos federal e estadual, órgãos, distribuidores, compradores e representantes dos postos.
Greve dos caminhoneiros
Em meio à crise, o Brasil vive a ameaça de uma nova greve dos caminhoneiros, o que pode acarretar diretamente à economia. Glauco avalia o movimento como arriscado.
"Temos que conversar para não parar a nação em decorrência dos altos valores. Eu acho que ainda não é o momento de fazer isso. Nós todos temos achar saídas viáveis", aconselhou.
O presidente do sindicato garante que, caso ocorra, o impacto da greve será grande.
"Vai impactar demais na economia de todo mundo. Tudo sobe, porque tudo roda em cima de um caminhão. Aumenta o diesel, o frete, o produto. Ou seja, quando chegar no consumidor, já vai chegar mais caro", alertou.


