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BAHIA

Festa cívica online amplia alcance da celebração

Thiago Conceição

Por Thiago Conceição

02/07/2020 - 6:00 h | Atualizada em 21/01/2021 - 0:00

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Visto como divindade, o caboclo não desfilará | Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE
Visto como divindade, o caboclo não desfilará | Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE -

O Dia da Independência do Brasil em terras baianas neste Dois de Julho é marcado por atos comemorativos e simbólicos que seguem as medidas de isolamento social de prevenção ao contágio pelo coronavírus. No Largo da Lapinha, o acesso está liberado apenas às autoridades civis e militares, além da imprensa. Como resultado, as comemorações serão feitas por meio de uma agenda virtual.

O tradicional hasteamento das bandeiras nacional, estadual e municipal, seguido pela colocação de flores aos heróis da independência, no monumento do General Labatut, ocorrerá em contexto inédito, sem a histórica aglomeração causada pela jornada da Tocha e do Fogo Simbólico, pelos desfiles militares e civis, pelo cortejo dos Caboclos, símbolos máximos da luta do povo contra as tropas lusitanas, derrotadas em 1823.

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Contexto histórico

Ao longo dos primeiros anos republicanos, a Festa do 2 Julho foi assumida pela Liga de Educação Cívica e pel o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), ainda que os moradores continuassem a participar da organização da festa. As instituições tinham o objetivo de despertar no espírito popular a ideia de “amor à Pátria”.

Neste contexto, em 2 de julho de 1914, A TARDE registrou o cortejo. Naquele ano, criticou o descompromisso de autoridades governamentais com o 2 de Julho. "No Campo Grande, o descuido do senhor intendente era clamoroso. Parecia um bosque selvagem, pontilhado aqui e ali pelas luzes mortiças do gás público”, descrevia o texto. “Sempre com a participação popular, a presença de grupos políticos e populares, com manifestações de protestos, só passou a fazer parte do Cortejo na metade do século XX, na cauda do desfile”, explica o historiador Francisco Senna.

Caboclos

Apesar das denúncias feitas pela imprensa, autoridades como o intendente raramente faltavam ao cortejo cívico, como mostra a capa de A TARDE de 3 de julho de 1916. Nas fotos das comemorações feitas naquele ano, está o registro de governantes e populares vestidos como índios. Já na igual data de 1920, o jornal registra os Caboclos que eram expostos no Campo Grande.

Para Eduardo Morais de Castro, presidente do IGHB, que cuida dos carros dos caboclos, o desfile das imagens no 2 de Julho marca a força dos nativos desta terra. “Os carros do caboclo e cabocla são entidades, as pessoas se ajoelham, rezam, deixam flores em agradecimento”, diz.

Efeito pandemia

A força da tradição popular é sentida por Mariluce Barros, 47, nascida e criada no Barbalho. “Por causa da pandemia, este será o primeiro ano que não estarei acompanhando as celebrações nas ruas. Todo ano participo, vejo os desfiles dos grupos culturais, a participação dos políticos, as manifestações”, conta.

A vivência descrita por Mariluce estampa as capas recentes do A TARDE. Nos últimos 15 anos, através de especiais que contam a tradição do 2 de Julho, o jornal divulga a presença cada vez maior dos grupos culturais que contribuíram para a Independência. Desde de 1973, a Sociedade Filarmônica Terpsícore Popular de Maragogipe é um dos grupos que marcam presença nas celebrações da Independência. “É um orgulho mostrar a força da nossa cultura e da filarmônica do Recôncavo baiano. Por causa da Covid-19, este ano nossas apresentações serão feitas online”, conta Joilson Santana, clarinetista da Terpsícore.

Memória

De acordo com a historiadora e gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Gabriella Melo, a Festa do 2 de Julho ainda apresenta para a população a luta dos movimentos identitários pela libertação do país.

“O Caboclo, a Cabocla, a constituição dos exércitos. Tudo revela o quanto os negros escravizados e as mulheres lutaram e sangraram para garantir a Independência. É por isso que o Fogo Simbólico percorre diferentes cidades baianas, até chegar para a solenidade da capital”, explica Melo.

Símbolo da luta pela valorização da memória dos heróis populares do 2 de Julho, o renomado professor, escritor e historiador Luís Henrique Dias Tavares morreu morreu, na semana passada, aos 94 anos. Ele foi um dos maiores defensores da tese do papel da Bahia para a consolidação do processo de libertação do Brasil.

Conexão online

Em memória de nomes como o de Tavares, Melo reforça a importância de festejar a data, ainda que no meio online. “O território virtual não tem fronteiras. O 2 de Julho pode ser transmitido para o mundo”, diz.

Hoje, A TARDE realiza live Homenagem ao 2 de Julho. A live terá a participação de Fernando Oberlaender, da editora Caramurê, e convidados como o historiador Daniel Rebouças, o ator Jackson Costa, o cantor Carlinhos Brown. A transmissão ocorre no Youtube e no Facebook.

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