Lentidão leva a desistência por usuário

Publicado sábado, 19 de outubro de 2019 às 23:00 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Nilson Marinho

A conta do sistema de saúde que não consegue atender suas demandas, infelizmente, acaba indo, mais uma vez, para a população. A migração dos moradores de Monte Gordo para o distrito vizinho de Arembepe faz com que o atendimento, que já era moroso para os seus moradores, fique ainda mais lento na UPA. E, muitas vezes, cansados de esperar, os pacientes voltam para casa sem o atendimento de que precisavam.

>>Pronto atendimento conta com estrutura precária

A dona de casa Daiana de Sousa, 21 anos, chegou à unidade às 8h30 da quinta-feira, 17, com suas duas filhas. A mais velha, a pequena Kaylana, de 2 anos, apresentava várias feridas pelo corpo que, ao tudo indicava, seriam frutos de uma reação alérgica. Às 11h, ela sequer tinha passado pela triagem. Cansada, a mãe voltou para a localidade onde mora, Rancho Alegre, distante cerca de 6 km do distrito, sem um diagnóstico.

“Nem me deram a previsão de quando seríamos atendidas. É muita demora, vamos voltar para casa. Desistimos. É sempre assim”, lamentou.

A UPA, que também é de responsabilidade do município, atende cerca de 100 mil pessoas por mês. A sua estrutura, diferente da de Monte Gordo, é, aparentemente, moderna, já que foi inaugurada há três anos, com o investimento de 1,4 milhão do Ministério da Saúde.

Mas o problema da espera também está presente na cidade de Camaçari que, além do Hospital Geral do município (HGC), conta com dois equipamentos de atendimento de urgência e emergência, a UPA Gleba A/Gravatá, localizada no bairro do Gleba A, e a UPA pediátrica, no Phoc II.

A equipe de reportagem esteve na Upa do Gleba e verificou que, por lá, a espera era de até duas horas para alguns pacientes.

Imagem ilustrativa da imagem Lentidão leva a desistência por usuário
Rosenil Souza Pires espera por atendimento na UPA Gleba A/Gravatá, em Camaçari

A autônoma Rosenil Souza, 41, chegou às 10h com a filha que estava com febre alta. Às 12h, ela ainda não tinha sido atendida.

“Também já estive aqui com a minha filha e meu avô e vejo que a demora é o principal problema. Não me deram nem uma estimativa de quando a minha filha seria atendida”, disse.

A empresa que, em 2014, venceu a licitação para fazer a gestão do hospital foi o Instituto de Gestão e Humanização (IGH). À época, o contrato foi celebrado pelo valor global de R$ 12,3 milhões, com a possibilidade de um reajuste pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC). O prazo era de um ano. Desde então, termos aditivos foram feito no contrato.

Atualmente, de acordo com o secretário de saúde, o repasse mensal é de cerca de R$ 1,2 milhão.

A pedido da reportagem, o Tribunal de Contas do Município (TCM) fez um levantamento nos últimos seis anos para identificar possíveis irregularidades na área da saúde. O colegiado informou, por meio de nota, que não foi localizado no seu sistema de busca eventuais denúncias e termos de ocorrência apresentados ou lavrados pelo TCM com relação à saúde em Camaçari.

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