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Maragojipe lança campanha 'Marisqueira com orgulho' nesta 4ª

Publicado terça-feira, 15 de março de 2016 às 22:50 h | Atualizado em 15/03/2016, 21:56 | Autor: Miriam Hermes
Marisqueira Maragojipe
Marisqueira Maragojipe -
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A campanha 'Marisqueira com orgulho, quilombola para sempre!' é lançada nesta quarta-feira, 16, no distrito de Capanema, em Maragojipe, a 156 km de Salvador. Haverá inauguração de um cultivo de ostras de base comunitária, café da manhã com degustação de ostras na brasa e lambretas e apresentações artísticas.

O movimento mobiliza 30 famílias de marisqueiras, segundo o coordenador da campanha, Daniel Almeida. Ele destacou que a iniciativa visa à mudança de comportamento dentre as marisqueiras, beneficiando a natureza e a qualidade de vida dos moradores costeiros, com o envolvimento da comunidade em todas as etapas do processo.

O mesmo programa já é utilizado em outras localidades do Recôncavo baiano, com metodologia já aplicada com bons resultados pela organização não governamental ambiental Rare em mais de 50 países, com o uso de ferramentas de marketing social. As primeiras comunidades quilombolas beneficiadas pela iniciativa no estado foram Kaonge e Dendê, em Santiago do Iguape, distrito de Cachoeira.

Participam ainda da campanha o Programa Pesca para Sempre, a Fundação Vovó do Mangue e o Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio). A Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), a Secretaria de Política para as Mulheres  (SPM) e o Programa Bahia Pesca também apoiam a iniciativa.

Para esta fase da campanha, estão mobilizadas marisqueiras das comunidades quilombolas e ribeirinhas de Capanema e Baixão do Guaí, que integram a Reserva Marinha Baía de Iguape.

"Nossa expectativa é melhorar de vida. Antes a gente conseguia catar de 3 kg a 4 kg de mariscos no trabalho diário. Hoje, com o mesmo tempo no mangue, a gente dificilmente pega 1 kg", afirmou a líder comunitária Janete Sena, 44 anos.

Para ela, a criação de ostras em gaiolas também chamadas de 'travesseiros', "vai permitir que a gente consiga sair do atravessador - que fica com a maior parte do lucro -, fazendo a comercialização direta com o consumidor. Para que isto aconteça, precisamos ter regularidade de produção, que vamos conseguir com este novo método".

Dentre as práticas que devem auxiliar as marisqueiras está a realização de rodízio de locais de cata "e a orientação para nunca vender ostras que tenham menos de 5 cm de diâmetro", observou a líder comunitária, acrescentando que estes cuidados vão permitir que o ciclo de reprodução das espécies se complete.

Valorização

De acordo com Janete Sena, como a maioria das pessoas que catam mariscos nos mangues é de mulheres, a  SPM iniciou cursos voltados a este público, para facilitar a fundação de cooperativas e associações.

Janete destaca que elas também participam de cursos para aprender os detalhes da criação das ostras em cativeiro.

Coordenador da campanha, Daniel Almeida ressaltou que todo o projeto foi pautado valorizando os conhecimentos tradicionais dos moradores da região.

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