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Paciente é assassinado após fugir de hospital em Itabuna

Ana Cristina Oliveira, da Sucursal Itabuna
Por Ana Cristina Oliveira, da Sucursal Itabuna

A delegada de polícia, Sione Porto, investiga se houve negligência do Hospital de Base de Itabuna na fuga e morte do paciente Filemon Fernandes da Silva, um trabalhador rural de 34 anos. Morador do município de Almadina, ele foi encontrado ferido, mas ainda com vida em um lixão perto do local conhecido como Volta da Cobra, periferia de Itabuna.



Segundo a delegada, no pescoço da vítima havia marcas de esganadura e os tornozelos estavam muito feridos. Ela afirma que no hospital há muitas janelas sem grades e duas portarias, que eventualmente podem ficar desguarnecidas, favorecendo as fugas ou a entrada de pessoas não identificadas.



NOTIFICAÇÃO – “Isso é um indicativo de que o local precisa de mais segurança”, disse a delegada. Segundo Sione Porto, Filemon não tinha passagem pela polícia. Gravemente ferido, o trabalhador foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao hospital, onde morreu.



Sione afirma que já notificou a direção do hospital e os familiares da vítima, para que possa recolher os depoimentos. Filemon estava no hospital sem acompanhante. A delegada aponta que o lixão é conhecido como uma área violenta.



Segundo a delegada o desafio é vencer o silêncio de quem circula pelo local. Para ela, a representação dos catadores de lixo deveria cadastrar os que trabalham no lixão para facilitar o trabalho da polícia. Sione Porto conta que levou quase um ano para elucidar um outro homicídio ocorrido na área.



JUSTIÇA – Os familiares de Filemon vão acionar judicialmente o Hospital de Base. Segundo a prima dele, Regina Maria Pereira a responsabilidade de cuidar e dar segurança aos pacientes é do hospital, mas nenhum funcionário saiu para procurar Filemon.



“Nós não fomos informados do desaparecimento. Já ficamos sabendo da morte”, completou. Regina Maria afirma que essa não teria sido a primeira fuga do hospital. De acordo com ela, a direção do hospital alegou que Filemon estava só. “Como poderia ficar alguém com ele, se a direção do próprio hospital só permite acompanhante para pacientes acima de 65 anos?”.



A direção do hospital também alegou que não tinha telefone para contato, mas Regina diz que o endereço do paciente estava na ficha dele. O diretor administrativo do Hospital de Base, Oton Matos explicou que o paciente era alcoólatra, com problemas psíquicos e que estava medicado, mas depois que passou o efeito escapou pela janela, sem que fosse notado.



Segundo ele, o paciente deveria estar com um acompanhante porque o hospital não tem pessoal suficiente para vigiar um interno. Matos admitiu também que já aconteceu até fuga de presos algemados e com escolta policial. Por lei, segundo o diretor administrativo, o hospital tem responsabilidade de atender e medicar o paciente. Mas a segurança, segundo Oton Matos, teria que ser feita por outros profissionais especializados.

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