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Pai denuncia abuso sexual a filho na cadeia

Ana Cristina Oliveira, da Sucursal Itabuna
Por Ana Cristina Oliveira, da Sucursal Itabuna

O pai de um dos quatro adolescentes apreendidos no sul do Estado e transportados, na última quarta-feira, 17, algemados na carroceria de viatura da polícia até a capital denunciou a A TARDE que o filho, de 13 anos, teria sofrido violência sexual. A agressão teria sido na cadeia onde ficou por 35 dias, antes da transferência.



O menino e outros dois garotos, ambos com 17 anos, ficaram na delegacia de Coaraci (a 442 km de Salvador). O outro, de 16 anos, é de Itabuna (a 429 de Salvador), de onde o juiz da Infância, Marcos Bandeira, determinou a ida dos quatro para a capital. O pai está indignado: “Ele errou, mas não poderia ter sido tratado como criminoso, ficando misturado na delegacia da cidade com marginais perigosos”. Ele reclamou de nunca ter recebido o resultado de um exame de corpo de delito que teria sido efetuado.



O homem reconheceu que o filho “dava trabalho para estudar”, mas ponderou que “ele não é rebelde e nem vivia em más companhias”. As mudanças começaram em março deste ano, quando passou a chegar tarde e até a dormir fora de casa: “Quando eu dava dinheiro, ele comprava doces, jogava videogame, mas, nos últimos tempos, ele gastava muito rápido”.



Alberto Pereira, coordenador do Conselho Tutelar de Coaraci, confirmou que, antes de serem levados a Itabuna, os três adolescentes da cidade ficaram apreendidos cerca de 35 dias, “numa cela isolada na delegacia local”.



Pereira informou que os dois mais velhos possuem histórico violento, que inclui homicídio. “Um matou o próprio irmão”, disse, informando que não teve mais contato com familiares deles e acredita que teriam deixado Coaraci. Segundo ele, a violência desses jovens “tem como causa a droga” e destacou que em Coaraci, com 19 mil habitantes, “quase toda semana uma pessoa é assassinada, jovens em maioria, como o que foi morto, ontem, na periferia, com 20 anos”.



O menino de 13 anos, segundo o conselheiro, “é usuário de drogas e foi apreendido por ter cometido pequenos furtos na cidade”. Uma irmã do adolescente disse que, se o garoto furtava, “na rua mesmo se desfazia dos objetos, porque sabia que em casa ninguém aceitaria”. Segundo ela, a família não quis encobrir os problemas e levou o caso ao juiz da cidade. O irmão foi para um núcleo da Fundação Reconto (Canavieiras), para cumprir medida socioeducativa, mas fugiu e foi apreendido. Ela disse que a família “fez de tudo” para o irmão não ir para Salvador, porque sabe “que ele vai voltar pior”. Ela reclamou que “outros que fizeram o mesmo continuam soltos”.



O delegado da cidade está de licença médica, mas, segundo policiais que estavam no plantão, na delegacia há uma cela só para adolescentes em conflito com a lei. Eles, entretanto, disseram que não poderiam falar sobre a denúncia de abuso sexual. O juiz substituto da comarca, Francisco Morais, ontem estava com extensa pauta de audiências, em Itabuna, onde também é substituto da 1ª Vara Crime, e não atendeu à reportagem.


ITABUNA –
O coordenador regional de Polícia Civil de Itabuna, Moisés Damasceno, informou que abriu procedimento administrativo interno (sindicância) para apurar os maus-tratos no transporte dos garotos para Salvador. O delegado não identificou os policiais, alegando que ele “é quem representa a Polícia Civil de Itabuna”. Mas disse que “os quatro serão ouvidos para explicar o fato”.



Damasceno declarou, ainda, que não acompanhou o caso porque a viagem foi de madrugada e ele estava em Salvador, queixando-se de que, quando ocorrem problemas envolvendo segurança, “as críticas só recaem sobre a Polícia Civil”. O garoto de 16 anos apreendido em Itabuna teria envolvimento com traficantes e foi apreendido portando uma arma.

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