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Passe livre em ônibus coletivo beneficia deficientes no interior

Cristina Santos Pita l Sucursal Santo Antônio de Jesus
Por Cristina Santos Pita l Sucursal Santo Antônio de Jesus

Cerca de 10 mil deficientes do município de Santo Antônio de Jesus (a 185 km de Salvador) agora já podem utilizar o sistema de transporte urbano quantas vezes forem necessárias. O serviço era uma grande reivindicação da população para promover a mobilidade urbana.

Josiel Bonfim Barreto, de 42 anos, é cego desde os 12 por conta de um glaucoma congênito. Todos os dias ele sai de casa para ir até a Escola Lyons Clube, onde é professor de Informática e Cidadania para deficientes visuais. Para se
locomover, utilizava o serviço do moto-táxi e arcava com o custo de R$ 6 por dia pela corrida.

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Após cinco anos sem transporte coletivo urbano em Santo Antônio de Jesus, e, portanto, sem a garantia do passe livre, agora, ele terá a ajuda para se deslocar até o trabalho com a chegada dos ônibus coletivos na cidade há um mês e, com isso, os benefícios da gratuidade para os portadores de deficiência. Josiel é também o presidente da Associação Santoantoniense dos Idosos e Deficientes Visuais (Asdev), que possui 50 associados.

Segundo Barreto, pelo Censo de 2000, o município possui cerca de 10 mil pessoas com algum tipo de deficiência. “A Lei do passe livre existe no município desde 1992, mas os ônibus que existiam não eram adaptados e depois passamos cinco anos sem serviço de transporte coletivo. Hoje podemos comemorar. É um avanço para uma cidade que
ainda precisa melhorar a acessibilidade para os deficientes”, disse.

Rita Maria dos Santos, de 37 anos, tem deficiência física. Ela é cadeirante desde que nasceu e reconhece a importância do passe livre para ela. “Não tenho dinheiro para pagar o transporte e também não posso entrar em qualquer veículo, muito menos, andar de moto. Os ônibus têm rampa para que eu possa subir sem precisar sair da cadeira.

É menos sofrimento”, comemora. Tanto para Josiel quanto para Rita, a gratuidade no transporte coletivo urbano é um reconhecimento do direito de cidadania das pessoas com deficiência. “O transporte coletivo é um direito da população e o passe livre também, não só para os deficientes como para idosos. O deficiente precisa ir ao médico, ao banco, ir ao mercado, trabalhar, estudar, enfim, exercer seus direitos de cidadão. O deficiente, em sua maioria é de baixa renda e não tem condições de pagar por transporte”, salientou.

A Cooper Micro Luxo é a empresa responsável pelo transporte coletivo no município há um mês. São 14 veículos disponíveis à população com capacidade para 22 passageiros e são adaptados para deficientes, como plataformas para cadeirantes; bancos exclusivos idosos e gestantes. Os estudantes pagam meia passagem.

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