Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio

Publicado sexta-feira, 11 de outubro de 2019 às 22:58 h | Atualizado em 11/10/2019, 23:02 | Autor: Vitor Castro *

As manchas de petróleo cru que ameaçam as praias do nordeste do País têm se multiplicado significantemente na Praia do Forte, no município de Mata de São João a 79,6km da capital. Esse destino turístico já sente os reflexos do desastre ambiental no comércio local. 

De acordo com o secretário de Cultura e Turismo, Ricardo Matense, os turistas continuam frequentando as praias menos afetadas. "Mas nos preocupa pelo fato de isso ser uma coisa desconhecida. Não sabemos o que mais virá, essa é a grande preocupação no momento”, revelou. “Prefeitura, a comunidade local e empreendedores da região fazem mutirão de limpeza. Estamos em diálogo constante com as prefeituras da região. Mas estamos assustados", completou o secretário.

A assessoria de imprensa da prefeitura de Mata de São João informou que, na manhã desta sexta-feira,, 11, o mutirão que contou com cerca de 50 pessoas entre moradores, turistas e pessoas da rede hoteleira, além de profissionais do Instituto do meio ambiente (Ibama) e da prefeitura, recolheu cerca de uma tonelada do petróleo cru.

Victor Hugo, presidente da associação comercial e turística da Praia do Forte (turisforte) diz ainda não é possível medir esse impacto sobre o comércio local mas comerciantes e artesãos garantem que a vila teve uma redução significativa no número de visitantes que costuma receber às 6ª-feiras.

A baiana de acarajé Valdimarina Conceição Santos, 55 anos ,que trabalha na praça em frente à Igreja São Francisco de Assis há 35 anos, diz ter certeza de que as manchas de óleo estão prejudicando diretamente o turismo no local.

"Hoje já era para isso aqui estar lotado, estamos nas vésperas do feriado. Ninguém apareceu. Geralmente vendo uma média de 500 reais por dia aqui, hoje só vendi 150 reais. Estamos sentindo na pele. A praia mais conhecida e mais famosa da região está cheia de óleo", completou a profissional. De acordo com os nativos, alguns turistas tem reclamado por se sujarem com o óleo ao caminhar pelas praias da região.

Uma equipe do Ibama estava na praia do Lord - até o momento uma das mais afetas pelo resíduo - para monitorar o petróleo que chega a região, a sua quantidade e as áreas mais afetadas para, junto a uma equipe do Centro de Defesa Ambiental (CDA) traçar a melhor estratégia de recolhimento e análise do material.

  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |
  • Praia do Forte já sente impacto do desastre ambiental no comércio
    |

Turismo

Carla Dias, de Belo Horizonte, frequenta a praia há 30 anos e conta que se espantou ao fazer a sua caminhada. “ Fui surpreendida com o óleo na areia. Conheço este lugar há tanto tempo, quando ainda não havia nem calçamento. A gente fica sem entender o que está acontecendo. Os moradores preservam esse lugar com tanto carinho...” , lamentou. Mas ela reconhece e valoriza o trabalho coletivo desenvolvido pelos moradores do local. “Fiquei surpresa com o mutirão formado pelos moradores e pela equipe da prefeitura para recolher o material. Isso é revigorante”, concluiu.

A turista argentina Ana Lia, que está há uma semana na vila, conta que há três dias atrás começou a encontrar manchas de petróleo. “Encontramos as manchas primeiro no mar e na areia. Depois, em nossas roupas. O pior é que a parte ecológica que está arruinada. Nunca havíamos visto uma coisa dessas. Sabemos que coisas assim ocorrem na Patagônia, pinguins ficam cobertos de óleo, mas nunca havíamos visto de perto, a primeira vez foi aqui”, diz.

O Ibama, por meio da sua assessoria de imprensa nacional, recomenda aos banhistas a não entrar em contato com a substância . “É importante ressaltar que o óleo adere à pele e é de difícil remoção. Em caso de contato com os olhos ou de inalação, o produto pode causar irritação. Além disso, o petróleo cru pode conter compostos considerados cancerígenos”, informou.

*Sob a supervisão da jornalista Rita Conrado

Publicações relacionadas