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Protestos geram cinco ações contra prefeito de Pilão Arcado

Publicado segunda-feira, 22 de outubro de 2007 às 12:08 h | Atualizado em 22/10/2007, 12:08 | Autor: Cristina Laura, da Sucursal Juazeiro
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A população do município de Pilão Arcado, distante 780 Km de Salvador, está inquieta e realiza protestos contra a administração do prefeito Roberto Martins (PV), eleito em dezembro do ano passado, depois de conturbadas ações de cassação de prefeito anterior e pleito eleitoral movimentado.

O desgosto da população foi formalizado em denúncia enviada ao Ministério Público  Estadual, Procuradoria da Justiça e Polícia Federal pelos vereadores de oposição a Martins. Segundo eles, o prefeito acumula irregularidades que devem ser investigadas como contratação de servidores sem concurso, contratação de empresas sem licitação, atraso nos salários dos servidores e superfaturamento de obras.

Joselita Ribeiro Maciola, agente de portaria concursada há dez anos, trabalha no Colégio Presidente João Batista Figueiredo e disse que está há dois meses sem salário. “Acho que o prefeito está fazendo péssima gestão. Ele não sabe administrar a cidade”. Assim como ela, a agente comunitária de saúde Élita de Assis Silva está há três meses sem receber salário e “a prefeitura só nos dá desculpas”. Ela e os outros 52 agentes que trabalham ainda sem posse depois da efetivação anunciada, reclamam do descaso da prefeitura.

“Cerca de 90% das escolas do interior estão sem funcionar, os carros que deveriam pegar as crianças estão sem rodar por falta de pagamento, todos os agentes de portaria foram demitidos e ele ainda gasta milhares de reais com contratos irregulares e obras que já foram feitas”, acusa o vereador Manoel Messias (DEM) que foi candidato ao cargo de gestor de Pilão Arcado nas eleições do ano passado. De acordo como promotor que atende em Pilão Arcado, Mauricio Matos, cinco Inquéritos Civis Públicos já foram instaurados contra o município.

“É a primeira vez que tantos inquéritos são instaurados contra um mesmo município em tão pouco tempo, já que o prefeito está no cargo pouco mais de nove meses”, admite. Ele diz que várias investigações estão sendo realizadas no sentido de apurar as denúncias. “Em agosto enviei um ofício ao prefeito para que ele realizasse concurso público num prazo de 75 dias, no entanto ele pediu prorrogação do prazo para 90 dias. No mesmo mês, a lista de servidores estava em aproximadamente 900 servidores temporários”, esclarece o promotor.

Questionado sobre as denúncias contra sua gestão, Roberto Martins afirma que “são os inimigos políticos querendo aparecer”. Ele assegura que os salários atrasados serão regularizados até o final deste mês, afirmando ser difícil administrar um município como Pilão Arcado. Ele contesta as denúncias e enumera possíveis conquistas como a realização de partos no hospital municipal, cirurgias do abdómen e recuperação de uma estrada que liga o município à localidade de Lagoa do Padre.

Martins diz que sobre as empresas contratadas sem licitação “houve uma interpretação jurídica entendendo que, como o município estava com estado de emergência decretado, não era necessário o processo”. Há quem diga que o patrimônio do prefeito mudou dede que ele assumiu a prefeitura. Ele, no entanto garante que “apenas comprei uma casa em Juazeiro, com dinheiro do meu FGTS”.

Roberto Martins diz ainda que está passando por um período de grande dificuldade. Com uma população de 32.732 habitantes, o município de Pilão Arcado tem uma receita de R$ 1,9 milhão, recebe ainda os royalties da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). A folha de pagamento da prefeitura gasta cerca de R$ 600 mil. “Não posso fazer em nove meses o que outros não fizeram em 18 anos”, finaliza o prefeito.

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