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Reclamações e espera: saiba como foi o 1º dia de greve na RMS

Greve na empresa Avanço Transportes começou nesta sexta-feira, 17

Publicado sexta-feira, 17 de maio de 2024 às 22:42 h | Autor: Paola Pedro | Portal MASSA!
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Esta sexta-feira, 17, amanheceu um pouco diferente para rodoviários e passageiros que utilizam as linhas da Avanço Transporte. De acordo com comunicado emitido pelo Sindicato dos Rodoviários, os colaboradores suspenderiam as atividades por tempo indeterminado devido às dificuldades de negociação entre empregados e empresa.

Para entender os impactos da greve, o Portal Massa! foi até os principais pontos de transbordo - em horário de pico - em que as linhas da Avanço operam em Salvador. Na Estação Mussurunga, a reclamação era unânime: os passageiros não sabiam sobre a suspensão da atividade da linha Camaçari X Terminal Mussurunga.

O passageiro Tiago afirmou que, apesar de usar a linha diariamente, não tinha conhecimento sobre o início da paralisação nesta sexta (17). “Na verdade, desde antes de ontem que está nessa pindaíba aí. Eles dizem que o carro está rodando normal, mas quando a gente vem pro ponto não tem carro”, disse. “Vou pra Camaçari trabalhar e volto pra cá, pra ir pra casa. A solução é esperar pra ver o que a minha empresa vai resolver e se não resolver eu vou pra casa, vou perder um dia de trabalho”, completou.

Ana Paula, que também utiliza a linha com frequência, achou um absurdo não ter nenhum funcionário ou cartaz informativo no ponto para orientar pessoas como eles, que estavam ali. “Eu cheguei aqui há uns 30 minutos e tô sabendo só agora que a linha está suspensa… Não sabia não, vim saber por ela [vendedora ambulante]”, desabafou. “A gente está aqui esperando, dizem que tá passando o ‘ligeirinho’ aí. A gente está aqui aguardando para pegar um ligeirinho e soltar em outro lugar, ter que andar, pegar outro carro”, contou desanimada.

Durante os 50 minutos em que a equipe permaneceu na Estação Mussurunga, nenhum carro do transporte complementar, o “amarelinho”, passou pelo ponto. Já na parada ao lado, o trabalhador Anselmo afirmou que a linha Jambeiro/Capiarara X Estação Mussurunga (855A2) estava operando regularmente. “Peguei essa mesma linha hoje, às 6 horas da manhã. Está rodando normalmente, chegou no horário certinho. Só pego essa linha [da Avanço Transporte] e por enquanto tá tudo normal”, relatou.

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Enquanto o Portal Massa! entrevistava alguns passageiros que estavam nessa mesma fila, um ônibus se aproximou. O motorista do veículo, que não quis se identificar com medo da represália da empresa, contou à nossa equipe que o itinerário não foi alterado, mas realmente “tinha ouvido” sobre a paralisação total: “Aqui está normal, Camaçari que tá de greve. Acho que a geral é de meia-noite em diante. Como eu só rodo aqui [em Lauro de Freitas], pra mim hoje é um dia normal de trabalho.”

Em contato com a reportagem, o presidente do Sindicato dos Rodoviários da Bahia (Sindrodoviarios), Mário Cléber de Menezes, confirmou que a paralisação seguia de forma parcial e afirmou que a empresa ainda negociava com os rodoviários. “Estamos em reunião com a Avanço. São vários pontos que vêm sendo descumpridos e, se não chegarmos a um acordo, vai ter greve [geral]. Lauro de Freitas continua rodando, mas, dependendo do resultado da reunião que está acontecendo agora, vamos parar de vez”, explicou o presidente do Sindrodoviários.

Já no Terminal Rodoviário Aeroporto, os pontos para embarque das linhas Candeias (834), Madre de Deus (834A) e Simões Filho (834E) estavam vazias. A única passageira flagrada estava aguardando a última linha há cerca de 10 minutos e também revelou ao Massa! que não sabia sobre a paralisação. “Eu até estranhei o movimento, porque tá vazio, mas não sabia mesmo. Se você não falasse, ia ficar aqui esperando não sei quanto tempo. Agora vou ter que ir lá pra São Cristóvão pegar outra linha”, falou.

No final da tarde desta sexta, o Sindicato dos Rodoviários publicou uma nota, reafirmando que a greve será mantida neste sábado (18). “O Sindicato se reuniu com a direção da empresa Avanço, contudo, não houve acordo. Os trabalhadores reivindicam recomposição salarial, pois desde a pandemia, por acordo, foi criado o salário do Interior, que se encerrou em dezembro de 2023. Ao fim da campanha salarial 2024, o Sindicato das empresas bateu o martelo concordando com a equiparação salarial no setor, contudo, a empresa Avanço não cumpriu o acordado. Foram 38 reuniões, sem solução”, diz comunicado.

O Portal Massa! também entrou em contato com a Agerba, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

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