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28/06/2024 às 9:00 - há XX semanas | Autor: Edvaldo Sales

SÃO JOÃO

“Festas de camisa no São João ficaram inviáveis”, diz Leo Estakazero

Artista vai se apresentar na próxima segunda-feira, 1º, no Parque de Exposições, em Salvador

Artista enalteceu o Centro Histórico, famoso por manter uma grade focada no “forró raiz”
Artista enalteceu o Centro Histórico, famoso por manter uma grade focada no “forró raiz” -

O cantor Leo Estakazero, que integra a grade do São Pedro da capital baiana, afirmou, em entrevista ao Portal A TARDE, que as festas de camisa no São João ficaram inviáveis. “Deixaram de ser festas de forró para ser festas onde se tinha uma grade igual a do Festival de Verão”, disse ele, que vai se apresentar na próxima segunda-feira, 1º, no Parque de Exposições, em Salvador.

>>> Veja programação e ordem oficial dos shows do São Pedro em Salvador

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Durante a conversa, o artista enalteceu o Centro Histórico, famoso por manter uma grade focada no “forró raiz”. “O Pelourinho tem apostado no forró autêntico”, enfatizou.

Sobre a maratona de shows de junho, ele contou que se preparou para a temporada junina desde o mês de março e que chegou a se apresentar em pelo menos 20 cidades baianas.

Confira a entrevista completa:

Portal A TARDE: Todos os anos ressurge a polêmica em torno de outros gêneros musicais tomar o espaço do forró no São João. Como você avalia isso?

Leo Estakazero: Sempre existiu essa disputa por espaços. Nós não vivemos em um país muito plural e a Bahia, principalmente, é um estado muito plural. Por ter essa pluralidade o público é mais exigente. Eu, como forrozeiro, poderia simplesmente dizer que é um absurdo e que está errado, mas não é por aí. Não é tão simples assim. É uma questão numérica. Se você tem várias cidades fazendo festa ao mesmo tempo durante três dias, cada dia com várias atrações, não existe tanto artista de forró para suprir.

O problema é que existem artistas, que não é o meu caso, que não tem muita visibilidade e acabam ficando fora das grades. Outros acabam entrando no lugar. Deveria existir uma proteção, um incentivo, para que, primeiro, sejam colocados todos os artistas de forró para depois contratar os demais [...] Deve existir uma valorização do artista de forró, mas dizer que dá para fazer um São João só com forró, do tamanho que é o São João da Bahia, não tem como.

Em entrevista recente ao Portal A TARDE, o secretário de Cultura e Turismo (Secult) de Salvador, Pedro Tourinho, afirmou que, apesar de ser na capital baiana, o São João no Centro Histórico vem conseguindo manter uma tradição cultural e musical nordestina que pode ter se perdido no interior devido aos grandes shows. Qual a sua opinião sobre isso?

Concordo. O Pelourinho tem apostado no forró autêntico. Existem cidades do interior que também fazem isso. Apesar de ter toda essa invasão dos artistas que não são do forró, se você quiser ir para um lugar que toca só forró, você consegue. O que acontece é que não é uma questão só dos gestores que organizam os eventos, o público pede artista sertanejo, do pagode, entre outras. Essa é a questão.

Mas quem for a Mucugê vai ouvir forró pé de serra. Quem for a Candeias vai ouvir arrocha. Se for em Cachoeira vai ouvir um reggae também. E eu não acho isso o fim do mundo. Eu acho muito pior ver artistas da música sudestina tocando no São João da Bahia. Esse é o ponto mais crítico e ruim. Inclusive são os artistas mais caros. Isso é mais preocupante, porque é uma dominação cultural.

Em 2024, festas como o Forró do Piu-Piu, Forró do Lago, Sfrega e Brega Light, que lotaram espaços de show diversas vezes no mês de junho, anunciaram cancelamentos ou não confirmaram os festejos. Os empresários justificam os cancelamentos das festas com aumento da quantidade de eventos realizados pelo governo e prefeituras, além de elevados cachês cobrados pelos artistas. Qual a sua avaliação sobre esse cenário?

Um número muito grande de cidades fazem festas juninas. Em 2026, eu faço 30 anos de São João, toquei em todas as festas de camisa, conheço a maioria dos donos inclusive, e fiz parte de todas. E eu posso dizer que não é tão simples assim como eles estão dizendo. Não é só essa questão. Isso também. Os eventos existem desde 1997 para cá. Foi quando o São João explodiu e as festas de camisa surgiram. De certa forma, foi uma maneira de privatizar o São João.

Antigamente, a festa de camisa complementava a festa da praça, que era à noite. A de camisa acontecia pela tarde. Com o tempo, as festas de camisa começaram a brigar com a da praça, tomava o espaço. E começou uma competição, deixou de ser um complemento. O primeiro ponto é esse. Aí depois, as festas de camisa começaram a colocar os artistas do sertanejo e de pagode, passaram a ser grandes festivais. Deixaram de ser festas de forró para ser festas onde se tinha uma grade igual a do Festival de Verão: sertanejo, pagode, axé, arrocha e, se sobrasse tempo, um forrozinho.

As festas de camisa começaram a ficar inviáveis, com artistas e estruturas caras. Esses eventos tiveram muito sucesso, duraram mais de 20 anos. Tiveram uma vida muito longa.

Leo Estakazero

O consumo de forró das antigas, que engloba estilos como xote, pé de serra e brega, teve um aumento de 300% nos últimos anos, segundo pesquisa realizada por plataformas de streaming. O que você acha disso?

Isso é maravilhoso. Mostra que a cultura cíclica. O pessoal está revalorizando, preferindo ouvir forró, sentindo falta da essência. O forró é muito enraizado na nossa cultura, vem da nossa infância.

A moda do momento é fazer shows em cruzeiros. Ludmilla, Maiara e Maraisa, e outros apostaram nessa modalidade. Você acredita que o forró pode ocupar esse espaço também?

Sinceramente, eu acho que uma coisa não combina com a outra. Eu acho meio fora de contexto. Mas depende, o forró é muito abrangente. Wesley Safadão cabe em cruzeiro. O estilo de música que ele canta já é mais de farra, de cachaça. Talvez Xand Avião. Agora, um artista como Flávio José eu não vejo tocando em um cruzeiro. Um Dorgival Dantas também acho estranho. Mas tudo é possível.

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