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Azeite está mais caro? Entenda a alta de preços

Item ficou 44,23% mais caro nos últimos 3 anos

Publicado terça-feira, 02 de abril de 2024 às 18:00 h | Autor: Da Redação
Quebras de safras, demanda crescente e até as estratégias de marketing dos produtores brasileiros explicam os preços altos
Quebras de safras, demanda crescente e até as estratégias de marketing dos produtores brasileiros explicam os preços altos -

O azeite ficou 44,23% mais caro nos últimos 3 anos, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2023, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (ABS), o aumento chegou a 24,7%, sendo o item do cardápio da última Páscoa que mais subiu.

Segundo uma pesquisa da Folha de São Paulo, há cinco fenômenos, dentro e fora do Brasil, que estão na raiz do problema. Veja abaixo.

1. Europa - produção em queda e consumo em alta 

A Espanha, responsável por praticamente metade de todo o azeite produzido no mundo, enfrentou secas severas nas duas últimas safras. O calor extremo, aliado à falta de chuvas, se repetiu na Grécia e em Portugal.

"Temperaturas acima dos 30ºC, por vários dias seguidos, queimaram as flores das oliveiras", conta Ana Carrilho, que comanda a produção na portuguesa Herdade do Esporão.

A produção global de azeite, que foi de 3,4 milhões de toneladas na safra 2021/2022, caiu para 2,5 milhões de toneladas na safra seguinte. A colheita europeia ainda não terminou, mas é estimada em 2,3 milhões de toneladas.

A demanda pelo azeite caiu nos últimos três anos, passou de 3,1 milhões de toneladas para as atuais 2,8 milhões de toneladas.

"Como a produção mundial vai continuar baixa, e a demanda está sólida em nível global, vamos seguir em desequilíbrio", afirma Teresa Pérez, gerente da organização Azeites de Oliva da Espanha.

2. Turquia com exportações suspensas 

A Turquia, que figura na lista dos maiores produtores de azeite mundiais, exporta para a Europa uma boa parcela de seus azeites a granel. No entanto, com a alta global de preços, o governo turco suspendeu as exportações, sem prazo determinado, para equilibrar os preços dentro de casa.

"A escassez de azeite turco fez baixar ainda mais os estoques europeus", afirma Scofano. 

3. Produção brasileira não supre demanda

Oficialmente, o Brasil produz azeite extravirgem há 16 anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura, o país consome 100 milhões de litros por ano, mas só consegue produzir 1% disso.

Sandro Marques, autor do "Guia de Azeites do Brasil", afirma que o país chegou a 165 marcas, em 2024. Dessas, 80 são do Rio Grande do Sul, 64 estão em Minas Gerais, 13 no estado de São Paulo e as demais, espalhadas por Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e Bahia.

As maiores propriedades se concentram em solo gaúcho. Com 550 hectares e 100 mil pés de oliveiras, a estância que produz o azeite Batalha, em Pinheiro Machado, é atualmente a maior do país. Mas, segundo Renato Fernandes, presidente do instituto, olivicultores desse porte são exceção: cerca de 2/3 dos produtores brasileiros têm propriedades pequenas, de até 20 hectares.

4. Segmento Premium como estratégia 

Os olivicultores do Brasil estão 100% focados na produção de azeite extravirgem premium, de altíssima qualidade, além de conquistar os concursos mundo afora, o que ajuda a elevar os preços.

"Os produtores brasileiros não têm escala e não conseguem preços competitivos. Caso se unissem em cooperativas, como os europeus, poderiam compartilhar custos com embalagens, rótulos, marketing e distribuição, mas ainda estariam longe de competir com os grandes envasadores mundiais", diz o consultor Paulo Freitas.

5. Excesso de chuva no Rio Grande do Sul 

Responsável por 70% da produção nacional, o Rio Grande do Sul amargou uma quebra de safra considerável este ano. "Enquanto o estado produziu 580 mil litros em 2023, este ano estamos torcendo para chegar, pelo menos, até a metade", afirma o presidente do instituto.

A culpa foi do excesso de chuvas na primavera, época da floração. "Soube que alguns produtores decidiram nem colher as azeitonas este ano, porque o custo-benefício não vai compensar", diz Sandro Marques.

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