TRÊS IRMÃOS
Com milhões em dívidas, Justiça decreta falência de gigante dos móveis
Parque industrial é abandonado e Justiça determina lacração de fábricas após calote milionário em SC


A Justiça catarinense decretou a falência da indústria de móveis Três Irmãos na última segunda-feira, 10. A empresa, sediada em Campo Alegre, no Planalto Norte de Santa Catarina, registrava dívidas estimadas em R$ 133 milhões. A decisão judicial determinou a lacração da fábrica matriz e das filiais.

O processo de falência ocorreu após o fracasso da recuperação judicial iniciada em 2024. A empresa estava com as atividades paralisadas desde 14 de maio de 2026.
Motivos do decreto judicial
O magistrado responsável pelo caso apontou falhas na condução do processo de recuperação, incluindo:
- Dívidas não quitadas: inadimplência com credores somando R$ 210 mil e € 175 mil.
- Dados financeiros: ausência de prestação de contas sobre o uso de R$ 3,25 milhões provenientes da venda de ativos.
- Situação fiscal: rescisão de acordos de parcelamento de ICMS com o governo estadual e pendências com a Receita Federal.
- Patrimônio: movimentação irregular de maquinários da sede e encerramento das operações.
Histórico da empresa
A Três Irmãos iniciou as operações em 1971 como uma marcenaria. Em 2009, o negócio expandiu para o mercado de exportação.
Em 2016, a estrutura fabril foi ampliada com a compra de uma planta em Caçador e, em 2020, a instalação de um parque industrial em São Bento do Sul. O quadro de funcionários atingiu o patamar de 500 colaboradores.
Fatores de impacto no setor
O setor moveleiro de Santa Catarina enfrentou variações de mercado a partir de 2021. De acordo com dados do segmento, os fatores que afetaram o desempenho industrial no período foram:
- Elevação dos custos de logística e frete marítimo internacional.
- Aumento dos preços de insumos como MDF, colas e vernizes.
- Variação nas taxas de juros.
- Redução de 27,7% nas exportações do setor moveleiro estadual em 2023.
A administradora judicial Recupere assumirá o inventário e a avaliação dos bens para a realização de leilões, visando o pagamento das dívidas acumuladas.