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Corregedoria da Câmara pode instalar investigação, diz Haddad sobre Marquito

Juliana Diógenes | Estadão Conteúdo

Por Juliana Diógenes | Estadão Conteúdo

28/03/2016 - 16:50 h | Atualizada em 19/11/2021 - 7:25

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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse nesta segunda-feira, 28, que a corregedoria da Câmara dos Vereadores poderia instalar um processo de investigação para colaborar com o Ministério Público Estadual (MPE). A promotoria apura se o vereador Marquito (PTB) retém salários de funcionários, segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo. Marquito é da base aliada do prefeito.

"A Câmara é que, na verdade, tem que apurar nesse caso. O Executivo não pode fiscalizar, nesse sentido, o Legislativo. Não posso mobilizar a Controladoria (Geral do Município). É um assunto interno da Câmara", afirmou Haddad. "Mas a Câmara tem corregedoria. Ela pode instalar um processo de investigação para colaborar com as investigações que estão em curso."

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O Ministério Público Estadual (MPE) abriu investigação contra o vereador Marco Antônio Ricciardelli, o Marquito (PTB), por suspeita de que funcionários que trabalham no gabinete dele são obrigados a devolver parte dos salários para o parlamentar. Edson Roberto Pressi, apresentado na Câmara Municipal de São Paulo como assessor, chefe de gabinete e advogado de Marquito, é investigado por participar do suposto esquema.

A Rádio Estadão e o jornal O Estado de S. Paulo tiveram acesso à investigação do MPE. Na semana passada, dois ex-funcionários de Marquito prestaram depoimento ao promotor de Justiça Cassio Conserino. Um deles afirmou que foi nomeado assessor parlamentar em fevereiro de 2013, com salário de R$ 8 mil. Logo no primeiro pagamento, porém, teve de devolver metade dos rendimentos ao gabinete, por ordem de Pressi.

Pego de surpresa, o funcionário reclamou e, por isso, teve seu salário reduzido ainda mais: dos R$ 8 mil, passaram a sobrar para ele somente R$ 2,5 mil mensais. As regras do chamado "dízimo" cobrado por Marquito são reveladas em um vídeo apreendido pela promotoria. Nele, Pressi explica ao então funcionário que ele teria de devolver R$ 3.390 do seu rendimento todos os meses.

O outro ex-funcionário ouvido por Conserino contou que tinha salário de R$ 2,5 mil. Mas em um mês foram depositados R$ 5 mil em sua conta. O homem afirmou que teve de devolver metade para o gabinete de Marquito. No mês seguinte, recebeu R$ 8 mil, mas ficou com os mesmos R$ 2,5 mil.

A testemunha mostrou os holerites nos quais constam os depósitos dos valores acima do seu salário e deixou também com o promotor cópia de extratos bancários nos quais constam saques de valores altos em dinheiro feitos sempre no dia de pagamento.

Nesta semana, Conserino deve ouvir depoimentos de outros ex-funcionários. Marquito, Pressi - que negou as acusações em conversa informal com a reportagem - e também os atuais funcionários do gabinete serão intimados a depor. O parlamentar não respondeu aos pedidos da reportagem para comentar a investigação.

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