BRASIL
Estado/Ibope: 35% dos paulistas já foram assaltados
Nada menos de 35% dos paulistas já foram assaltados. A maioria dos casos de assalto, 66%, ocorreu nas ruas. É de 18% o porcentual de assaltos sofridos em casa, mesmo índice para os que ocorreram no trânsito. A revelação é da pesquisa Estado/Ibope realizada entre quinta-feira e sábado em 96 cidades do Estado. Do total de vítimas da violência, um em cada três não prestou queixa à polícia. O índice dos que preferem não procurar a ajuda da polícia chega a 31%, contra 62% dos que registraram a ocorrência. Não sabem ou não opinaram 8%. Os porcentuais da pesquisa foram arredondados, por isso, em alguns casos, o total não soma 100%.
Os homens são as maiores vítimas dos criminosos em São Paulo. A pesquisa mostrou que 68% deles já foram assaltados na rua. Entre as mulheres, o porcentual é de 63%. A maioria, mais de dois terços das vítimas dos dois sexos, é formada por jovens, com idade entre 16 e 24 anos. A faixa etária seguinte, de 25 a 29 anos, soma 71%.
Quando a comparação fica entre região metropolitana e capital no item assalto na rua, há empate. São 72% os crimes praticados em vias públicas na capital, contra 71% nas ruas da Grande São Paulo. No interior, são 55%.
Apenas duas em cada dez pessoas entrevistadas afirmam que não conhecem alguém que foi vítima de algum ato de violência. Já 16% afirmaram que já tiveram o dissabor de ter o carro roubado, dentre os quais 23% têm idade superior a 50 anos.
Descrédito - A descrença nas autoridades é maior entre os mais jovens, com idade entre 16 e 24 anos: somam 41%. "Já levaram meu relógio na rua duas vezes. Não dei queixa. Para quê?", questionou o estudante Fernando Barbosa, de 18 anos. Para Priscilla de Souza, de 23 anos, gerente de departamento, dar queixa à polícia não adianta. "Fui assaltada por esses moleques cheira-cola, mesmo se prendessem, no dia seguinte estariam na rua."
Os mais pobres também integram o grupo que dá menos importância à ajuda policial. Entre os que ganham até um salário mínimo, 40% preferiram não ir à delegacia prestar queixa, contra 20% daqueles que ganham mais de 10 salários mínimos. Entre os que registraram boletim de ocorrência após terem sido assaltados, 73% ganham mais de 10 mínimos.
Guaracy Mingardi, pesquisador do Instituto Latino Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e o Tratamento do Delinqüente (Ilanud), afirmou que os pobres são mais céticos em relação à atuação do Estado. "E os jovens não gostam da polícia."
Em meio à descrença, dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que no primeiro semestre de 2006 foram instaurados 151.169 inquéritos policiais sobre queixas prestadas pela população em todo o Estado. Mas o número de queixas foi quase dez vezes maior: foram registrados 1.202.869 boletins de ocorrência. Não há números sobre casos solucionados. A secretaria informou que são medidos apenas esclarecimentos de crimes mais violentos.
Vitimização - Para o governo estadual, a subnotificação de crimes é comum em todos departamentos de polícias do mundo. É alegado que nos Estados Unidos esse índice chega a 50%. A estratégia em São Paulo, informou a secretaria, é aumentar as notificações. Há seis meses é feita pesquisa de vitimização, com resultados ainda não divulgados.
Para o coronel José Vicente da Silva, ex-secretário nacional da Segurança, a explicação para a baixa notificação é que a população não acredita na recuperação do bem, além da perda de tempo. Para a Secretaria da Segurança Pública, a perda de tempo pesa na decisão de ir à delegacia, mas haveria o problema do valor envolvido, da vergonha que o cidadão pensa que pode passar e até o possível envolvimento e/ou conhecimento do autor do crime. "O indivíduo com mais dinheiro espera que o Estado faça algo por ele. O problema não está no tamanho do bem, mas na perspectiva que cada um tem da polícia e da atuação para recuperar o bem ou prender os criminosos." Colaborou Fabiano Rampazzo
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