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Familiares de presas reclamam de local inadequado para visitantes no Rio

Publicado domingo, 27 de janeiro de 2008 às 19:15 h | Atualizado em 27/01/2008, 19:15 | Autor: Agência Brasil
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No Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, a temperatura pode ultrapassar 40 graus. No último dia 12 de janeiro, não chegou a esse índice. A temperatura máxima medida pela prefeitura era de 36 graus, mas o calor estava insuportável.

Sem se incomodar, sentada em uma pequena sombra, sob uma pedra, Clotilde Coutinho, 64 anos, esperava a porta da penitenciária feminina Joaquim Fernandes de Souza se abrir. Era mais um dia de visita.

Do lado de fora, não há um local adequado para as famílias aguardarem o horário de visita. As pessoas, a maioria idosas, esperam sentadas no chão. Não há água, tampouco banheiros utilizáveis. Os dois disponíveis estavam sem condições de uso. Um não tinha porta e o outro, além do mau cheiro, encontrava-se alagado.

Mesmo assim, Clotilde não deixa de visitar a filha, presa há cinco anos. Ela percorre, de 15 em 15 dias, cerca de 70 quilômetros entre Magé, região metropolitana do Rio, e Bangu, na zona oeste. E anda mais um quilômetro da entrada do complexo à porta do presídio.

A viagem era semanal, mas devido ao custo e “ao cansaço” foi reduzida. “Já sou idosa. A gente não agüenta mais. São três ou quatro ônibus. Gasto cerca de R$ 20 só com a passagem”. Para chegar ao presídio pela manhã, ela acorda às 6h30. “Gosto de chegar cedo, entrar logo e ficar mais tempo [na penitenciária]”, diz.

Nos saquinhos de supermercado que acompanham essa senhora estão produtos para higiene pessoal e comida. “Trago o que ela [filha] pede”. Entre os objetos, bolachas, sabonetes, desodorantes e absorventes. “Eles [a administração] dão absorventes, mas parece que não são suficientes”, ressalta.

O que Clotilde leva de mais importante, no entanto, não são os produtos. “Tento dar a minha filha um pouco de esperança”, diz. Ela é uma das poucas familiares na fila da penitenciária que abriga cerca de 220 mulheres. E não quer deixar a filha sofrer com um dos maiores problemas das penitenciárias femininas: o abandono.

Neste ano, a filha de Clotilde deve entrar no regime semi-aberto, no qual terá o direito de estudar ou trabalhar fora do presídio. A moça terá direito também a sair no final de semana e só voltar para dormir. Durante esse período, Clotilde espera que os netos, sob os seus cuidados, possam ver a mãe. A senhora não quis contar o motivo da condenação da filha: “Ela sempre foi trabalhadora, mas se meteu com quem não devia. Não adiantou conselho de mãe”, desconversou.

Clotilde não se queixa do presídio onde está a filha. Acha que no local ela é bem tratada.“Minha filha trabalha, fica ocupada”. A única crítica é em relação à revista. “É o de sempre. Tem que mostrar a comida, tirar a roupa, abaixar, levantar. Essa é a norma. Eles [os agentes] não têm culpa. A honestidade não está estampada na nossa cara”, reclama. O maior incômodo, segundo ela, é repetir a rotina. “É muito sacrifício. Estou doida para me livrar logo disso”, desabafa.

Sobre a inexistência de um local adequado para os visitantes, o secretário estadual de Administração Penitenciária, César Rubens de Carvalho, afirmou que este problema já havia sido constatado e que a secretaria tem procurado melhorar o atendimento nos presídios, oferecendo, inclusive, assistentes sociais para atender melhor às famílias. A secretaria cita exemplos de unidades recém-reinauguradas, como o  Complexo de Japeri, onde há salas com banheiros, bancos e outros itens que podem proporcionar mais conforto para os visitantes.

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