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Motorista do Uber vai blindar carro após ataque de taxistas

Rafael Italiani | Estadão Conteúdo

Por Rafael Italiani | Estadão Conteúdo

05/01/2016 - 16:06 h | Atualizada em 19/11/2021 - 7:16

Um bando formado por cinco taxista usou os carros para fechar, cercar e, com barras de ferro, danificar o carro de Rafael Rodrigues Quessada, de 22 anos, motorista há quatro meses do aplicativo Uber. Ele tinha ido buscar uma passageira às 3h do último domingo, 3, em uma casa noturna na Avenida Francisco Matarazzo, na Barra Funda, na zona oeste da capital. Com medo de novos ataques, a vítima vai blindar o carro. Os agressores, segundo a Polícia Civil e a Prefeitura, são regulamentados pelo poder municipal para exercer a atividade e podem ter as licenças cassadas.

Os vidros e a lataria do Honda Civic 2016 da vítima, automóvel avaliado em mais de R$ 80 mil, foram danificados, causando um prejuízo de R$ 7 mil ao motorista do aplicativo. A passageira que ela iria transportar teve ferimentos leves causados pelos estilhaços das janelas do carro que a atingiram. Com medo de sofrer retaliações dos taxistas da região, a jovem não prestou queixa.

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Após fugir, Quessada retornou ao local do ataque e viu que os táxis de onde os agressores desembarcaram ainda estavam na rua e ele conseguiu anotar as placas. "Eu já tinha sofrido violência verbal trabalhando, mas dessa vez passou dos limites", disse.

No Boletim de Ocorrência registrado no 91º DP (Ceagesp), consta que os carros pertencem a dois taxistas que têm o Cadastro Municipal de Condutores de Táxi (Condutax), documento obtido com a Secretaria Municipal de Transportes e exigido para exercer a atividade. Em buscas no Diário Oficial da Cidade, é possível ver que os dois agressores participaram de sorteios de alvarás de pontos de táxi nos últimos anos.

Procurada, a pasta afirmou que "o Departamento de Transportes Públicos (DTP) abrirá processo administrativo e intimará os envolvidos em comparecer ao órgão para apurar os fatos". Ainda de acordo com a secretaria, "poderá haver cassação" do Condutax, impossibilitando os envolvidos de participarem de novos sorteios de alvarás.

Em nota, a Uber afirmou que "considera inaceitável o uso de violência contra cidadãos que respeitam as leis. Os motoristas parceiros têm o direito de trabalhar honestamente para ganhar seu sustento, assim como os usuários têm o direito de escolher como querem se mover pela cidade".

'Ex-companheiros'

Há quatro meses Quessada largou a frota de táxis onde trabalhava para se tornar independente dos aluguéis cobrados por empresários que exploram o serviço na capital. "Eu começava o meu dia devendo R$ 150", contou.

Segundo ele, nada vai mudar na sua rotina de trabalho e Quessada deve continuar trabalhando durante as madrugadas, buscando passageiros que deixam os carros de passeio em casa para usar o serviço de carona remunerada. "Só vou mandar blindar o carro. Se me pegarem outra vez, o dano vai ser menor e eles não vão conseguir mais quebrar os vidros", afirmou.

Segundo Antonio Raimundo Matias, o Ceará, presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi (Simtetaxis), a entidade condena as agressões contra serviços concorrentes. "É algo que a gente reprova e achamos ridículo. Não concordamos e repudiamos. O pessoal da Uber também briga com os taxistas, mas não vai para a mídia. A gente vê todo dia violência dos motoristas e quem sai perdendo é o passageiro, que também fica com medo", disse.

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