PF afirma ao STF que é preciso ouvir Bolsonaro sobre suposta tentativa de interferência

Publicado terça-feira, 23 de junho de 2020 às 18:37 h | Atualizado em 23/06/2020, 18:39 | Autor: Da Redação

A Polícia Federal disse ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que será preciso ouvir o presidente Jair Bolsonaro no inquérito sobre uma suposta tentativa de interferência na autonomia da instituição. De acordo com informações do G1, o ofício enviado ao STF foi assinado pela delegada Christiane Correa Machado.

"Informo a Vossa Excelência que as investigações se encontram e estágio avançado, razão pela qual nos próximos dias torna-se necessária a oitiva do Senhor Jair Bolsonaro, Presidente da República", diz o texto do ofício.

Segundo o site, o ministro Celso de Mello já manifestou em outras ocasiões que, independente do cargo, investigados devem depor pessoalmente. A delegada pediu ao ministro Celso de Mello, no último dia 29, que o inquérito fosse prorrogado por mais 30 dias.

Três dias após a demissão do então ministro da Justiça, Sergio Moro, a investigação foi autorizada pelo STF, em 27 de abril. Ao anunciar a demissão do cargo, Moro afirmou que o presidente interferiu na PF ao demitir o então diretor-geral da instituição, Maurício Valeixo. Bolsonaro nega a acusação.

Diante das suspeitas, os investigadores pediram mais prazo para se aprofundar nas investigações na superintendência da PF no Rio de Janeiro, com o objetivo de analisar inquéritos que envolvem a família Bolsonaro.

"Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira", disse Bolsonaro no vídeo da reunião de 22 de abril, divulgado por decisão do ministro Celso de Mello.

A investigação aguarda informações sobre a troca na segurança pessoal do presidente e seus familiares. Segundo o G1, o Jornal Nacional já mostrou que um mês antes da reunião ministerial que o presidente afirmou que não conseguia fazer trocas, o chefe do departamento de segurança foi substituído pelo segundo na hierarquia, além do responsável pelo escritório do Rio.

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