DESPROTEGIDO?
Por que o Brasil afundou seu maior navio de guerra? O motivo é mais perigoso do que parece
Entenda o que levou o Brasil a desistir de ter seu próprio porta-aviões

A ausência de um porta-aviões na frota brasileira, uma embarcação utilizada para pouso e decolagem de aeronaves em alto mar, não é apenas uma questão orçamentária. O motivo por trás do fim desses gigantes de ferro envolve também um material que já foi o padrão da indústria, mas hoje é visto como uma ameaça global à saúde: o amianto.
Diversas guerras marcaram o passado do Brasil, porém com o passar dos anos, o país ficou sem um maquinário bélico muito utilizado por países mais desenvolvidos. Esse déficit de armamento nem sempre aconteceu, visto que, no passado, o país possuía um Navio Aeródromo (NAe), como também é chamado um porta-aviões, o NAe São Paulo.

Porém, a falta de um equipamento deste calibre acontece por dois motivos: um deles é a escolha econômica do país, visto que o custo de manutenção para esse maquinário é muito alto. A prova disso foi o encerramento das atividades do NAe São Paulo, tornando-o inviável para utilização da Marinha e da Aeronáutica do Brasil.
Conheça o último porta-aviões do Brasil, o NAe São Paulo
A embarcação foi comprada em 2000 da Marinha Francesa por US$ 12 milhões durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, por aproximadamente R$ 22 milhões na época.
Ele contava com 265 metros de comprimento, e suportava 1920 pessoas, das quais 64 eram oficiais, 476 sargentos e 798 eram cabos e marinheiros, mais o Grupo Aéreo, que somava 582 pessoas.
Com relação às aeronaves, no momento da incorporação havia 14 caças do modelo AF-1A Skyhawk e 13 helicópteros de vários tipos. Era esperado que o porta-aviões seguisse em operação até ao menos 2039, mas diversos problemas de funcionalidade tornaram a manutenção do NAe São Paulo inviável.
O início do fim do NAe São Paulo
Os problemas com o único porta-aviões brasileiro começaram em 2005, quando uma tubulação de vapor teria se rompido, o que causou ferimentos e mortes de tripulantes.
Isso iniciou um processo longo de manutenções e testes envolvendo a embarcação. E, após diversos testes e falhas, ficou evidente que os custos de reparos e modernização não valiam à pena. Com isso, o NAe São Paulo foi descomissionado no ano de 2017.
Venda e risco ambiental
Sem função para a Marinha Brasileira, o casco do navio foi leiloado para uma empresa de desmanche da Turquia por R$ 10 milhões.
Porém, ao ser rebocado ao local, foi constatado o segundo motivo que culminou no encerramento das atividades: o NAe “São Paulo” continha uma alta concentração de amianto, metal considerado tóxico e cancerígeno, sendo impedido de entrar no país por risco de contaminação ambiental.
Com esse risco de contaminação, o porta-aviões também não foi liberado para retornar e atracar no Brasil, ficando assim à deriva na costa brasileira.
O fim caro do NAe São Paulo
Após isso, no ano de 2023, a Marinha Brasileira decidiu dar um fim ao NAe “São Paulo”, afundando-o a 350 quilômetros da costa brasileira, ainda dentro da Zona Econômica Exclusiva do Brasil.
Vale ressaltar que o custo para o afundamento da embarcação foi de R$ 37,2 milhões a Marinha Brasileira, R$ 27,2 milhões a mais do que o preço pago pelos turcos em sua carcaça.
Brasil é desprotegido por não ter um porta-aviões?
Por mais que atualmente o Brasil não conte com um porta-aviões em sua frota, em 2018 ele adquiriu um porta-helicópteros britânico batizado em águas brasileiras de Porta-Helicópteros Multipropósito Atlântico (A140) e mais tarde, como Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM).
Por mais que ele seja útil, o NAM Atlântico não possui o mesmo poderio bélico de um porta aviões, visto que o mesmo não possui a capacidade de operar os jatos AF-1 Skyhawk da Aviação Naval, que passaram a operar somente de terra.
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