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IMUNIZAÇÃO

Queda na vacinação pode trazer à tona doenças superadas

País tem uma das mais baixas coberturas vacinais dos últimos 20 anos

Da Redação

Por Da Redação

22/03/2022 - 10:04 h
Sem a proteção historicamente conferida pelas vacinas, o Brasil pode viver novos surtos
Sem a proteção historicamente conferida pelas vacinas, o Brasil pode viver novos surtos -

A população brasileira tem uma das mais baixas coberturas vacinais dos últimos 20 anos contra doenças graves, que afetam principalmente crianças e adolescentes. Segundo um levantamento realizado pela pesquisadora de políticas públicas Marina Bozzetto, da Universidade de São Paulo (USP), a pedido do GLOBO, com base em dados do Ministério da Saúde, aponta que o Brasil regrediu no combate a outras doenças, consideradas erradicadas no país.

Após ter alcançado sua melhor marca em 2015, com uma média de 95,1% de pessoas completamente imunizadas dentro do público-alvo de cada vacina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 2021, a média da cobertura ficou em 60,8%.

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Atualmente, o Brasil tem 73,6% da população com esquema vacinal completo contra a Covid-19 (duas doses ou dose única), mas de acordo com a pesquisa, os índices referentes a outras enfermidades pioraram expressivamente durante a pandemia.

Sem a proteção historicamente conferida pelas vacinas, o Brasil pode viver novos surtos e o ressurgimento de várias doenças que haviam ficado para trás.

Os três imunizantes que tiveram menor cobertura em 2021 foram as vacinas de poliomielite ou paralisia infantil (52,% de cobertura), a segunda dose de tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola, com 50,1%) e tetra viral (tríplice viral mais proteção contra varicela, ou catapora, com 5,7%).

O pediatra Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), relata que atualmente "temos níveis preocupantes para todas as vacinas do calendário. Já havia uma queda antes da pandemia, que agora se acentuou”.

A vacina BCG, por exemplo, que previne contra a tuberculose, apenas 44% dos municípios tiveram cobertura adequada de imunização. O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), afirma que o Brasil já foi modelo para o mundo, em contrapartida, até o sarampo retornou.

“É muito importante intensificar a comunicação e resgatar as pessoas que não foram vacinadas”, disse.

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