Saúde soube de escassez de respiradores no AM um mês antes de colapso

Publicado terça-feira, 15 de junho de 2021 às 10:24 h | Atualizado em 15/06/2021, 10:31 | Autor: Da Redação

O Ministério da Saúde soube de uma necessidade maior por respiradores no Amazonas, pelo menos um mês antes do estado entrar em colapso, de acordo com documentos entregues à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19.

De acordo com o UOL, o governo do Amazonas solicitou 218 respiradores dentro de um espaço de apenas 16 dias.Um dos pedidos ocorreu em 18 de dezembro de 2020. Na ocasião, o estado pediu 140 respiradores pulmonares ao governo federal. Já no dia 2 de janeiro, foram pleiteados mais 78 equipamentos. O ápice da crise do oxigênio no estado ocorreu entre os dias 14 e 15 de janeiro.

O governo federal enviou 130 equipamentos ao estado somente em dezembro. O número é mais de quatro vezes que o enviado em novembro. Até então, foi a maior remessa para um mês. Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde enviou 164 respiradores pulmonares ao Amazonas.

Esses números mostram que a crise já se configurava. O então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) — além de outras cinco autoridades públicas — por improbidade administrativa.

A Procuradoria da República do Amazonas entende que Pazuello esperou as mortes por falta de oxigênio ocorrerem para agir no estado. De acordo com o MPF, a fila de pacientes com Covid-19 à espera de leitos de UTI começou a se formar em 5 de janeiro.

Na época, as curvas de contaminação, hospitalização e óbitos estavam em uma decrescente. Ou seja, já se esperava o agravamento da situação nos dias seguintes, com possível pico entre 14 e 15 de janeiro.

Os governos federal e estadual, no entanto, teriam ficado inertes. Eles não determinaram de imediato a elaboração de plano para transferência dos pacientes excedentes de Manaus a outros estados, fato que só ocorreu em 15 de janeiro, após as mortes por falta de oxigênio.

Publicações relacionadas