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Seis em cada 10 negócios digitais são administrados por mulheres

Elas são maioria no comando de pequenas e médias lojas virtuais brasileiras

Publicado domingo, 05 de março de 2023 às 07:00 h | Autor: Júlia Isabela*
Raíssa Silveira, ourives e dona da Raissá, loja virtual de jóias artesanais
Raíssa Silveira, ourives e dona da Raissá, loja virtual de jóias artesanais -

Cada vez mais os negócios digitais ganham força no setor de empreendimentos e o gênero feminino é o que mais se destaca nessa modalidade, já que 6 em cada 10 pequenas e médias lojas virtuais brasileiras são administradas por mulheres, de acordo com a plataforma de e-commerce Nuvemshop, por meio  da pesquisa Elas no E-commerce, realizada com sua base de lojistas no Brasil.

Os segmentos comerciais mais difundidos entre as donas de e-commerce são o de Moda e Vestuário, com 40% de adesão, o de Acessórios, com 12% e o de Artesanato, 10%. Com a chegada do Dia Internacional da Mulher (8 de março), as empresárias preparam seus negócios especialmente para a data, que valoriza e celebra o gênero feminino. 

Rosangela Gonçalves, analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e gestora do Programa Sebrae Delas, reforça a importância de estudos voltados ao empresariado feminino.

“É importante ressaltar a importância de estudos que nos ajuda entender os desafios e nuances do Empreendedorismo Feminino, que ainda é um tema “relativamente novo”, portanto todo e qualquer dado que ajude nesta compreensão é de extrema relevância. Não é novidade falar que, embora ainda exista um caminho considerável pela frente, as mulheres ocupam cada vez mais espaço em todos os campos da sociedade. E isso também vale para o e-commerce”.

Rosangela comenta que um dos motivos que explicam a relevância das mulheres nos negócios digitais tem relação com sua forma de gestão. Ela cita que de acordo com a terceira edição do estudo Mercado Livre/Ibope Conecta, mulheres tendem a ter mais iniciativa e, consequentemente, mais coragem na hora de arriscar e inovar. 

A gestora do Programa Sebrae Delas explica também que as datas comemorativas sempre se apresentam como uma boa oportunidade para movimentar as vendas das empresas do meio digital e que o Dia Internacional da Mulher conta com este histórico. “É uma data que vem ganhando mais espaço e sendo vista cada vez mais como uma forma de honrar e de prestigiar as conquistas das mulheres. Considerando a forte presença feminina no comércio eletrônico, investir na celebração desta data pode ser uma boa estratégia para esquentar as vendas no início do ano”. 

Entre as dicas para aproveitar o dia, a analista destaca a importância de criar campanhas que saiam dos clichês e tenham um olhar para a diversidade, sem reproduzir estereótipos e montando uma ação respeitosa, sem generalizações e que façam jus à figura feminina. 

Imagens e descontos

Outras orientações de Rosangela são: definir e segmentar o público, facilitar o processo de vendas e ser visual. Para um e-commerce, que não conta com apoio de vendedores, quanto mais informações e imagens sobre o produto/serviço, melhor para que os consumidores encontrem o que procuram. Também é importante estimular as vendas com descontos especiais e promoções, além de oferecer diferentes opções de pagamento. 

As razões que levam as mulheres aos negócios online, de acordo com a pesquisa da Nuvemshop, variam: 60% busca expandir seu negócio para alavancar suas vendas, 43% recorre a mais autonomia, e 38% deseja criar fontes alternativas de renda.

Ainda segundo o estudo, os benefícios do empreendedorismo no e-commerce para o gênero feminino vão desde aumento na renda mensal (33%), ter mais tempo para se dedicar a atividades pessoais (31%), e conseguir cuidar melhor de sua saúde mental e física (20%). 

Para Raíssa Silveira, ourives, designer de joias e dona de uma loja virtual, a “Raissá”, a maior vantagem do negócio online é a flexibilidade que o modelo proporciona no dia a dia. “Se eu tivesse uma loja física, eu teria que abrir todos os dias tal hora e fechar a loja tal hora, e com a loja virtual eu consigo deixar minhas peças expostas lá e as pessoas podem ver no site quando quiserem. Consigo trabalhar em home office e assim eu tenho uma rotina mais flexível”, afirma.

“Uma vantagem também é que não preciso ter estoque grande, consigo trabalhar por demanda; como minhas peças são artesanais e muitas são personalizadas, não preciso ter um grande valor investido em estoque que fique parado para estar exposto numa loja física”, diz.

A empresária também conta que decidiu abrir uma loja virtual porque seu negócio é novo, com apenas um ano, e uma loja física é um gasto muito grande de locação de espaço e manutenção, então a loja online parece mais segura nesse início. Raíssa diz ainda que, apesar de não notar aumento significativo nas suas vendas no Dia Internacional da Mulher, ela planeja fazer alguma promoção para a data, provavelmente nas peças de correntaria. Todas as peças são fabricadas por ela.

Por outro lado, Juliana Dourado, proprietária de uma marca de roupas que leva seu nome, preparou, para o Dia Internacional da Mulher, uma coleção cheia de detalhes que será lançada em comemoração à data. Além disso, a loja também terá promoções e “mimos” referentes ao dia. Ela comenta os pontos positivos da loja virtual e diz que está muito satisfeita com o modelo, que veio complementar o espaço físico. “A praticidade, comodidade e flexibilidade com os nossos clientes na hora da compra on-line é uma grande vantagem. A loja virtual surgiu com a pandemia, pois a demanda do delivery em Salvador cresceu muito e o nosso diferencial é não cobrar taxa de entrega, hoje já enviamos para todo o Brasil”. Já Carolina Padilha, dona de uma marca de calçados femininos de mesmo nome, relata que o meio digital sempre foi a “menina dos seus olhos” e que ele proporciona facilidade de escolha para a cliente, oferecendo a opção de ir até a loja ou comprar no conforto da sua casa.

Juliana Dourado, proprietária de uma marca de roupas que leva seu nome
Juliana Dourado, proprietária de uma marca de roupas que leva seu nome |  Foto: Shirley Stolze / Ag A Tarde
 

“A vida tão corrida de hoje em dia requer facilidades e para efetivar a venda não pode ser diferente. Talvez por ter já crescido no meio digital e já ser consumidora, não tinha outra opção, tínhamos que ter também a loja on-line, ela agrega imagem, credibilidade, comodidade e experiência ao cliente”, conta Carolina. 

A empresária ainda diz que para a sua loja, o Dia Internacional da Mulher vai casar junto com a chegada da nova coleção. “Além disso, vamos oferecer um super cupom de desconto para o dia 8. Também estamos com projeção de crescimento de 23% para todo o mês de março comparado ao ano de 2022”. 

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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