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Sobrevivente de tragédia da Chapecoense comenta sobre novo acidente: 'Fiquei em choque'

Da Redação
Por Da Redação
"Quando o avião caiu, eu fiquei em choque, mas agora pensei: 'Outra vez esse pesadelo'", relembrou | Foto: Reprodução | TV Globo
"Quando o avião caiu, eu fiquei em choque, mas agora pensei: 'Outra vez esse pesadelo'", relembrou | Foto: Reprodução | TV Globo - Foto: Reprodução | TV Globo

Um dos sobreviventes da tragédia que vitimou parte da delegação da Chapecoense, em 2016, Erwin Tumiri, 30 anos, passou por um novo acidente recentemente. No último dia 2, ele foi uma das 31 pessoas que escaparam com vida de um acidente de ônibus na Bolívia.

O técnico de aviação sofreu uma fissura na omoplata e passou por uma reconstrução dos tendões no joelho. Ele ficou apenas três dias internado e retornou para a casa, em Cochabamba.

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Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, ele contou que um pouco antes do acidente de ônibus ele estava dormindo. Ele acordou com os gritos dos demais passageiros, que pediam para que o motorista freasse - o que não aconteceu.

"Eu estava dormindo. Ouvi pessoas gritando e tirei os fones de ouvido. O ônibus estava correndo muito, parecia que tinha perdido o freio. As pessoas batiam na cabine do motorista gritando: 'Para! Para! Freia!'. Me segurei no assento porque já esperava o pior. Nessa hora, eu dizia para mim mesmo: "Eu não vou morrer aqui'", lembrou, ao programa.

Segundo Tumiri, os assentos não tinham cintos de segurança, vitimando 22 pessoas.

O veículo caiu, rolou barranco abaixo e foi parar em um riacho, a mais de 100 metros da pista. O técnico de aviação engatinhou até uma janela do lado oposto ao que estava, embora ainda estivesse tonto, por ter batido a cabeça.

Durante a entrevista ele fez um paralelo entre os dois acidentes e ele disse que deste vez, ele sabia o que estava acontecendo, diferentemente do acidente com o avião da Chapecoense. "A única coisa que disseram da cabine de comando foi que íamos aterrissar. Estava todo mundo esperando isso. Ninguém falou que tínhamos que ficar em posição de impacto ou que íamos fazer um pouso de emergência", afirmou. "Quando o avião caiu, eu fiquei em choque, mas agora eu pensei: 'Outra vez isso, outra vez esse pesadelo", completou.

"Não acho que eu seja sortudo ou azarado, e olha que eu já tive dois acidentes graves de moto. Me sinto abençoado por Deus por essas oportunidades de vida", afirmou Tumiri.

O técnico se mostrou grato às pessoas próximas, durante o diálogo, e disse estar ansioso para recomeçar e voltar a trabalhar, visto que era o que ele estava indo fazer ao pegar a estrada.

"Aprendi a valorizar as pessoas queridas, é o mais importante. E também não se sentir perdedor. Percebi que ficava fazendo perguntas bobas sobre o sentido da vida quando podia estar com a minha mãe, meus amigos. Esses momentos não voltam, então, é melhor fazer agora", finalizou.

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