Capinan e Roberto Mendes voltam aos palcos com show 'Flor da Memória'

Apresentação acontece nos dois próximos domingos, 10 e 17 de julho, no Teatro Sesi, do bairro do Rio Vermelho

Publicado sábado, 09 de julho de 2022 às 07:30 h | Atualizado em 08/07/2022, 22:50 | Autor: Eugênio Afonso
Amigos e parceiros, juntos apresentam, cada um ao seu modo,  um universo  cultural baiano
Amigos e parceiros, juntos apresentam, cada um ao seu modo, um universo cultural baiano -

Um é do Recôncavo, o outro, do Litoral Norte. Dois legítimos representantes de duas fortes culturas baianas. Um é o santamarense Roberto Mendes, 69, e o outro, o tropicalista entrerriense José Carlos Capinan, 81.

Parceiros de longa data, o músico e compositor Roberto Mendes e o poeta e letrista Capinan se unem, mais uma vez, para apresentar o show Flor da Memória, desta vez no Teatro Sesi Rio Vermelho, em dois domingos: amanhã (10) e 17 de julho – sempre às 20h.

Para a temporada, os dois cantores e compositores baianos decidiram montar um show intimista, com direção artística de Arthur Dazzani e do próprio Mendes, recheado de poesia, música e muita história. O público vai se deparar com canções, conversas, chulas, sambas, além de momentos de afeto, descontração, lembranças e memórias vividas.

“O show é a retomada de um trabalho público com o parceiro Roberto Mendes e que considero um dos principais do meu repertório. Aproveito para convidar quem já conhece, e que não conhece, o fruto desse trabalho. Conseguimos ajustar nossas cabeças, memórias e formas de ver o mundo, e esse trabalho é uma convocação para que a gente possa superar o momento atual”, convida Capinan.

Roberto Mendes complementa: “esse show para mim é de uma importância crucial porque é segmentar uma relação entre a música e a palavra. Fazer um show com Capinan nada mais é do que me colocar à disposição do seu verso e cantar a melodia que o verso dele me traz. Flor da Memória é um inventário, um resgaste de um tempo onde a saudade conduz”.

Cultura nômade e senzala

No repertório, Tempos Quase Modernos, gravada e interpretada por Elba Ramalho e Gabriel Pensador; Todo Seu Querer, sucesso na voz de Fagner; Aos Portugais, gravada por Mariene de Castro; Ya Ya Massemba, Beira Mar, Estranho Rapaz e Manda Chamar,  interpretadas pela diva, e conterrânea de Mendes, Maria Bethânia. Além de outras canções da dupla.

“A respeito das músicas, o nosso critério para o repertório é o da atualidade das mesmas e da qualidade dessas composições. Acho que ela é o sumo da nossa relação criadora e isso representa muito dentro de ambos os autores”, esclarece Capinan. 

Autor de sucessos como Papel Marchê, Viramundo e Soy loco por ti América, o compositor de Entre Rios ressalta que Roberto “estuda a profunda cultura do seu Recôncavo e que todos nós sabemos que isso contribui muito para a cultura brasileira em geral”.

Já Roberto diz que se não existisse Capinan, não existiria, por exemplo, nem ele nem o compositor Jorge Portugal (1956 - 2020).

“Então, estou comemorando 22 anos de parceria e fazendo um show com o cara que me inventou e que me ajudou a chegar até aqui. Estou muito feliz em fazer um show hoje ao lado de quem sou fã", finaliza o santamarense.

Biografias

Ator, escritor, poeta e letrista, Capinan ganhou o Festival de Música da Record, em 1967, com a letra de Ponteio, música defendida por Marília Medalha e Edu Lobo. A derivação para o movimento tropicalista foi natural, sendo ele um dos principais representantes. 

É considerado um dos maiores poetas e letristas da música popular brasileira, com mais de 200 músicas, muitas em parceria com Roberto Mendes, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, João Bosco, Jards Macalé e Zeca Baleiro. 

Já Roberto Mendes é filho legítimo de Santo Amaro da Purificação. Músico e pesquisador das tradições seculares do Recôncavo Baiano, toca e canta chula e xaréu, o samba antes do samba, além de outros ritmos que navegam com desenvoltura em seu violão.

Com parceiros como Jorge Portugal, Nizaldo Costa, Jota Veloso, João Mendes e Capinan, escreveu suas principais obras, gravadas por Maria Bethânia, Elba Ramalho e tantos outros intérpretes reconhecidos nacionalmente.

É folcloricamente conhecido por ser o artista que tem os pés fincados em Santo Amaro, aquele que saiu de lá para o mundo, sem nunca ter ido.

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