CADERNO 2
Espetáculo de Teatro tem texto inédito de Gil Vicente Tavares
Peça de pré-formatura, 'Fantasia de Guerra' segue em cartaz até 29 de janeiro

Rodeado por uma equipe de peso das artes cênicas, o ator soteropolitano Marcos Lopes estreia nesta sexta, 6, às 20h, no teatro Martim Gonçalves (Escola de Teatro da Ufba), o espetáculo de sua pré-formatura, Fantasia de Guerra.
A peça segue em cartaz até 29 de janeiro, sempre às sextas e sábados, às 20h, e domingos às 19h.
Apesar de ainda estudante da Ufba, Lopes já é bastante atuante na cena local, e não somente na área teatral.
Integrante do Coletivo Duo Teatro e da trupe Musiclauns, foi indicado ao Prêmio Braskem de Teatro (2019) nas categorias Ator e Espetáculo Infantojuvenil com a peça O Barão nas Árvores.
Marcos também atua no circo e lida com música e produção cultural. Esteve em cartaz em algumas peças da cidade, como Redenção e As Tentações de Padre Cícero, esta última de Gil Vicente Tavares.
É o próprio Gil que, além de dirigir Marcos em Fantasia de Guerra, assina o texto criado especialmente para a montagem. Para estar ao lado de Marcos em cena, foi convidado o veterano Marcelo Praddo (Os Pássaros de Copacabana; Um Vânia, de Tchekhov), um dos mais conceituados intérpretes da cena local.
“Marcelo e Gil são artistas que admiro. Foi uma escolha muito feliz da minha parte. Já tínhamos trabalhado juntos e num dos encontros que fizemos, provocamos Gil para escrever o texto”, conta Lopes.
Convicto da multiplicidade de talentos do formando, o diretor e autor diz que Marcos é um dos grandes atores da geração dele.
“Admirava-o ao longe, tinha desejo de trazê-lo pra mais perto, e a oportunidade surgiu com As Tentações de Padre Cícero. Ele atua, toca, se vira na dança e no canto, tem um lado circense muito bom e uma inteligência cênica que o diferencia como um criador mais independente”, elogia Gil.
Segundo Marcelo Praddo, Marcos tem qualidades essenciais para a contracena. “Acho que em Fantasia... pude conhecer mais profundamente os caminhos que ele traça para chegar ao que quer, a utilização do seu repertório de ator performer, que ele também é. E pude aprender muito com a leveza e desprendimento que ele tem na sua abordagem de composição de personagem. Fico muito feliz de poder estar a seu lado nesse espetáculo”.
Vida e guerra
A peça conta a história de dois homens – um soldado e um fugitivo – que se encontram em meio à guerra e passam a conviver juntos para sobreviver. Segundo Gil Vicente, naquele encontro são postas à prova visões de mundo, da guerra e da vida, e a pergunta que fica é: será mesmo que toda pessoa tem que deixar um legado?
“Eu faço o soldado, alguém que está sozinho em uma guarita esperando que algo aconteça. Ele é muito solitário, uma pessoa alijada da sociedade. Quando o fugitivo chega, eles começam a criar uma relação de proximidade e intimidade”, informa Marcos.
Já o fugitivo ganhou a interpretação de Praddo. “Minha personagem é um cara que já passou por muitas experiências durante a guerra e que se encontra desacreditado de tudo, carregando uma certa amargura. Ao mesmo tempo, alguém que se deixa levar pela poesia e pelo impacto desse encontro. Eu diria que esse convívio de diferentes caráteres, idades, visões de mundo, acaba se tornando revelador para ambas as personagens, especialmente para a minha, que carrega uma certa arrogância, fruto do tempo e da experiência”, pontua Marcelinho.
Provocado pelos dois atores para criar a história, Gil diz que a inspiração para escrever o texto veio de suas inquietações – da guerra da Rússia à polarização brasileira, da histeria armamentista à destruição em massa do meio ambiente.
Que todas essas questões vinham mexendo muito com ele ultimamente e que, por fim, eclodiram no texto da peça. Para Gil, o grande desafio da arte é justamente captar o momento e transubstanciar a realidade em uma fantasia.
“Acaba sendo um texto bastante atual, mas longe de ser datado. Talvez, infelizmente, um texto que siga a sina de Os Javalis (de sua autoria), e seja sempre considerado atual todas as vezes que voltar à cena. Não por mérito do texto, mas por demérito de nossa sociedade que resiste em melhorar”, denuncia o diretor.
Ganhar estrada
O desejo de todos é, assim que acabar essa temporada, seguir com o espetáculo por aí.
“Se há algo que pra mim é um desperdício, seja de tempo, seja até mesmo de verba pública, é estrear um espetáculo com data para seu enterro. Tem sido muito comum em trabalhos acadêmicos, o que é até compreensível por ter que se cumprir outros processos em seguida, mas no teatro comercial isso tem sido a tônica, e devia ser critério para futuras seleções o quanto um coletivo consegue multiplicar as ações do projeto inicial dando longa vida a ele”, argumenta e finaliza Gil Vicente.
Na peça, Marcos estará acompanhado ainda de Luciano Bahia na direção musical, Bárbara Barbará na direção de movimento, Wanderley Meira na produção executiva, Guilherme Hunder, criador do figurino, e Eduardo Tudella na iluminação e cenografia, além de outros profissionais da cena teatral.
A parceria é do Teatro NU e o apoio, do estúdio Arroyo.
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