CADERNO 2
Peça de teatro 'Tarot' segue com proposta imersiva no TCA
Encenação é baseada nos arcanos do tarot, mais especificamente no de Marselha
Por Eugênio Afonso
Desta terça, 22, até a próxima sexta-feira, 25, das 20h às 22h, o espetáculo de teatro TAROT segue em cartaz nas áreas externas e dependências do Teatro Castro Alves (TCA). O projeto cênico-instalativo tem como proposta a fruição imersiva.
Com direção artística do cenógrafo Luis Parras, direção de cena da atriz Fernanda Paquelet e sessão extra para deficientes visuais, das 14h às 17h, amanhã, a montagem é baseada nos arquétipos e arcanos do tarot, mais especificamente no de Marselha. A ideia é que o público não tenha uma postura meramente passiva, mas que possa vivenciar e ex perimentar a encenação.
Para Parras, o propósito é sensibilizar, emocionar e, às vezes, provocar indignação e estesia. “TAROT é também a apresentação do resultado do curso Construção do Espaço Cenográfico (ministrado no centro técnico do TCA) e propõe uma aproximação às características arquetípicas dos arcanos maiores do baralho de Marselha que inspiraram a criação dos 22 cenários”, comenta.
“Minha grande inspiração foi a obra do diretor chileno Alejandro Jodorowsky que, além de um grande mestre de tarot, também produziu filmes e performances inspiradas no baralho europeu”, acrescenta Parras.
Disrupção
Tudo começa com o sorteio de uma carta do baralho para cada participante/público. Essa carta definirá o destino de cada um dentro da montagem, ou seja, o caminho que ele irá percorrer, acompanhado por atores/mediadores, em um cenário formatado por sete ambientes inusitados do TCA, como o foyer, o jardim suspenso, a antiga bilheteria e as escadas que descem para a Concha Acústica.
A plateia se divide em quatro grupos formados por, no máximo, 14 espectadores. No final do trajeto, cada um terá percorrido sua jornada arquetípica. A lotação máxima é de 56 pessoas, justamente o número dos arcanos menores do tarot de Marselha, e a participação é restrita a maiores de 16 anos.
Segundo Parras, a escolha pelo tarot se deu porque ele é um jogo do inconsciente. “Assim como os sonhos, o tarot possui a capacidade de despertar em nossa consciência aspectos ocultos, então esperamos que, ao imergir nesses cenários inspirados no baralho, o espectador tenha a mesma experiência de um jogo numa cartomante ou diante de um psicólogo”.
O diretor conta também que o espetáculo é disruptivo porque o foco não está no trabalho de ator, mas sobretudo na cenografia e nos efeitos especiais. Diz ainda que o público chega ao teatro e se organiza em fila já na expectativa de vivenciar uma experiência inusitada.
“Essa espera é parte da encenação. O diferencial começa quando chega a hora de sortear uma carta que determina o caminho que o espectador poderá seguir. São quatro destinos possíveis: água, terra, fogo e ar, que correspondem também aos quatro naipes do baralho – copas, ouros, paus e espadas”, informa Parras.
Ele diz ainda que a participação do público é direta, que o espetáculo foi concebido para que o espectador não seja apenas um observador, mas um ativador dos cenários e dos objetos de cena.
“É inspirado na fenomenologia que influenciou o movimento neoconcreto, mais especificamente Hélio Oiticica e Lygia Clark, artistas que propõem o fim da dicotomia entre sujeito e objeto, e criam obras de arte que o espectador pode tocar, mexer, vestir, transformando a lógica do objeto de arte, até então sacralizado e intocável”, comenta o diretor.
Mas quem não gosta de espetáculo interativo não precisa ficar tenso, Parras adverte que as pessoas não são obrigadas a participar. “Elas são convidadas, e aqueles que estiverem mais abertos à participação, sem dúvida terão uma experiência mais completa”, garante o diretor.
Construção de sonhos
A cenografia conta com fragmentos de vários outros cenários de espetáculos teatrais baianos, dos últimos 20 anos, de diretores como Alda Valéria, Bergson Nunes, Anderson Dantas, Andrea Elia, Caio Rodrigo, Duda Woyda, Guilherme Hunder, Thiago Romero, dentre outros.
De acordo com Patrícia Bessa, produtora executiva e assistente de direção artística da montagem, a experiência sensorial proposta pelas estruturas e objetos distribuídos entre os cenários sugere uma relação espacial acionada pela reação do público.
“A cada carta, uma gama de referências visuais se estilhaça. O tarot de Marselha é a referência imagética usada para a criação dos projetos. A definição das estruturas e dos objetos constitui o que seria a impressão 3D da sensação proposta, a potência de ressignificação das matérias a partir da maestria dos que lidam para dar forma e definição, como os artífices, artesãos, aderecistas, que oferecem à cenografia o poder de construir sonhos”, finaliza Patrícia.
TAROT foi contemplado pelo Edital Setorial de Teatro 2019 e tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes