CARNAVAL
Bloco 'A Culpa é da Mãe' reúne toda a família em desfile no Pelourinho
“Eu vou lhe dar a real, no bloco da mamãe, o papel do papai com o bebê é todo igual. Eu vou gritar geral, deixa a mamãe dormir, sair, se divertir, pular o Carnaval”. É ao som de marchinhas como esta, que falam sobre os direitos das mães, que o bloco “A culpa é da mãe”, formado exclusivamente por elas e seus filhos pequenos, sai desde 2017, na sexta-feira de Carnaval no Pelourinho.
Quando a fotógrafa e empreendedora criativa, Gabriela Brito, resolveu inovar na fantasia e ir caracterizada de mãe para o circuito, ela não imaginava o quanto mulheres como ela, que vive a maternidade solo, se sentiriam identificadas. Usando adereços como uma blusa que imitava seios em período de amamentação e apenas um dos brincos para simbolizar os esquecimentos de mães atarefadas, através das curtidas e comentários na foto postado nas redes sociais, nascia uma rede de mães que se apoiavam e queriam (porque não?), fundar um bloco só delas.
No primeiro ano, foram mais de quarenta mulheres interessadas. Em 2018, o número subiu para aproximadamente 150, e em 2019, a expectativa é que ele continue aumentando.
“É empoderador ter um espaço que possa garantir acessibilidade e diversão para as mães e seus filhos. Tem muitas que se sentem sozinhas por conta dessa falta de acolhimento e dos julgamentos diários. Quando a mãe pensa no Carnaval de Salvador, este seria o último evento no qual ela iria com seus filhos, mas, em coletivo tudo é diferente ”, afirma Gabriela.
Foliã de carteirinha do bloco, quem também concorda com Gabriela, é a professora de dança e administradora, Hanna Gabriela dos Santos. Depois de sair em 2018, ela vai sair de novo com a pequena Joanna Flor Cordeiro de 1 ano e 6 meses.
“Foi uma experiência maravilhosa do início ao fim. A proposta do bloco é unir diversao, acolhimento e militância. Tudo o que eu precisava e permaneço precisando. É apaixonante!”, disse.
Pensando nas crianças, cujas idades variam bastante - a “caçulinha” do ano passado tinha apenas 3 meses - o bloco disponibiliza toda uma estrutura especial. Lá é possível encontrar de trocador a cantina, na qual as mães podem inclusive, vender lanches. Todos precisam ser saudáveis, sem gorduras ou açúcar em excesso, avisa Gabriela. Já as mamães, aproveitam para brincar como quiserem, ousando nas fantasias e em plaquinhas com frases sobre a maternidade real.
Pequenos no Carnaval
Para Gabriela, a recepção da criançada que sai no bloco é mais do que positiva. “Elas se sentem felizes brincando com os confetes, estando com outras crianças e vendo também as suas mães lá felizes, se divertindo junto”, diz.
E quanto às crianças pequenas? Hanna explica que foi dificil fugir dos julgamentos já que a sua filha era ainda um bebê quando saiu pela primeira vez no bloco.
“Familiares e amigos próximos sempre se opuseram a idéia de irmos curtir carnaval com “Jojô” tão novinha. Falavam da exposição a aglomeraçao de pessoas, das viroses de carnaval, do calor, barulho...Como se eu e meu marido não tivessemos pensado nisso tudo antes de topar. Parecia que estávamos fazendo realmente algo errado”, afirma.
Por outro lado, existem ainda aquelas que não são exatamente fãs de carnaval, mas, que também não julgam as que gostam. A empresária e consultora em Marketing Digital, Juliana Drumond é uma delas. Mãe de Enzo Gabriel de 1 ano e 2 meses, ela compartilha todos os dias com os seus seguidores no Instagram (@julydrummond_ ) a sua rotina de maternidade solo, ajudando outras mães a se empoderarem também.
“Nunca levei meu bebê a nenhuma festa de rua até porque hoje não faz parte de minha rotina. Mas depois que virei mãe aprendi a não julgar ninguém, principalmente outras mães. Cada um sabe de sua realidade e tenho pavor que se metam na minha forma de lidar com meu bebê, portanto jamais me meteria na de outra mãe”, declara.
Por fim, gostando ou não das festas de rua, todas concordam que o a decisão das mamães em saírem ou não com seus filhos devem ser respeitados, desde que os espaços ofereçam o apoio e a segurança necessária tanto para elas, quanto para os pequenos. Para aquelas que ainda estão em dúvida se devem ou não cair na folia, pelo “A Culpa é da Mãe”, Hanna dá o seu recado.
“Somos mulheres, mães, famílias a fim de nos divertirmos e falar tudo o ficou engasgado nesse tempo de maternidade. Que mal há nisso? Mãe escuta muita besteira. O dia do Bloco é o dia do chega, é a nossa vez de falar!”, convida.
Dicas
Vai cair com o pequeno na folia? Confira uma lista pensada pelas mamães Hanna Gabriela e Juliana Drumond do que levar para curtir a festa com muito conforto e segurança:
Protetor solar;
Roupas extras;
Roupa com proteção UVA;
Frutas frescas;
Água;
Copinho;
Fralda para troca;
Fralda de pano;
Sling para bebês pequenos;
Leque para abanar
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