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Mulheres na corda: trabalhadoras relatam desafios como cordeiras de trio

Presença feminina na profissão ainda é desrespeitada por alguns foliões e cordeiros homens

Dara Medeiros

Por Dara Medeiros

15/02/2026 - 18:33 h | Atualizada em 16/02/2026 - 20:07

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Cordeiras no Carnaval Circuito Barra/ Ondina - Circuito Dodô
Cordeiras no Carnaval Circuito Barra/ Ondina - Circuito Dodô -

O trabalho dos cordeiros de trio elétrico é desafiador como um todo, mas para as mulheres a função pode ser ainda mais intensa. Além de exigir um grande esforço físico por muitas horas, elas relatam que sofrem com o desrespeito de foliões e até de alguns colegas de profissão.

Cordeira há 8 anos, Cristiane de Lima Pereira relatou que enfrenta dificuldades por questões de gênero. O machismo faz com que seja difícil estabelecer limites diante de foliões invasores nos blocos.

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"A parte mais difícil é que nós não somos respeitadas, os nossos direitos não são respeitados. Os homens reclamam, querem passar por cima e nos puxam", lamentou ela.

Moradora do bairro de Periperi, Simone Gonzaga atua na função há 10 anos e sofre impactos emocionais quando é tratada de forma agressiva.

"Nunca foi fácil, porque algumas pessoas não respeitam a gente, tratam como se a gente fosse um lixo. Eu me sinto triste com isso, porque todo mundo é igual, mas tem gente que quer ser melhor do que as pessoas, é muito ruim", desabafou ela.

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Amiga da cordeira Cristiane, ela encontra apoio nas irmãs de bloco para enfrentar os problemas ao longo do percurso, inclusive assédio.

"Tem uns que brincam, mas tem outros que já estão querendo procurar confusão, fazem ameaças, tem assédio. Tudo isso a gente passa e incomoda, mas é trabalho, tem que fazer porque a gente quer ganhar o nosso dinheiro. Eu chamo por Deus e vou trabalhar", declarou Simone.

Vitória Ribeiro está segundo ano como cordeira na folia baiana e já tem opinião formada sobre o que gosta e não gosta.

"Dependendo do bloco que a gente pega, pode ser bem difícil, porque a gente fica de 6 a 7 horas andando com a corda, tem folião que acaba entrando e complica. Quando é com homem, eles não ficam na frente pedindo para passar", pontuou a jovem.

Vitória Ribeiro e amigas
Vitória Ribeiro e amigas | Foto: Dara Medeiros | Ag. A TARDE

Nem tudo são espinhos

Apesar da rotina complicada enquanto protegem os blocos carnavalescos da cidade de Salvador, há quem tenha encontrado alegria na profissão e consiga lidar melhor com as adversidades.

Natália Bispo é de Itinga e sai bem cedo de casa para chegar no circuito dentro do horário marcado. Para ela, que atua no Carnaval há 12 anos, ser cordeira tem muitas vantagens.

"Os outros dizem que é difícil, mas para a gente que está acostumada a vir todos os anos é ótimo. A gente bebe, curte e ainda ganha o nosso dinheirinho", explicou.

Natália Bispo
Natália Bispo | Foto: Dara Medeiros | Ag. A TARDE

Estreante como cordeira

Todo ano novas pessoas se voluntariam para serem cordeiras, esse foi o caso de Jilma Silva Bastos, de 55 anos, que fez seu primeiro Carnaval sendo cordeira em 2026.

"É minha primeira vez, gostei da experiência, mesmo com esse negócio de empurra-empurra, que acontece mesmo, mas o trabalho é esse", relatou.

Além disso, Jilma contou que gostou de ser cordeira por ter feito amizades durante o circuito, e falou sobre a crescente de mulheres estando responsáveis pelas cordas dos trios. "Foi ótimo (ter mais mulheres cordeiras), valorizou nosso jeito de ser mulher, guerreira".

Além de fazer o trabalho durante os desfiles dos trios, Jilma disse que consegue curtir um pouco.

"Eu pulo, eu danço, eu bebo, eu tomo cerveja, eu tomo whisky, eu sei que eu fiquei bem animada, adorei", relatou.

Jilma Silva Bastos, cordeira
Jilma Silva Bastos, cordeira | Foto: Edvaldo Sales | Ag. A TARDE

Trinta anos como cordeira

Algumas cordeiras estão há gerações trabalhando no Carnaval de Salvador. Este é o caso de Adriana Barreto, de 45 anos, mãe de quatro filhos.

Ela conta que este trabalho é "um trabalho digno e honrado que a gente está aqui porque a gente precisa, a gente é guerreira". Mas nem tudo são flores. A cordeira pontua diversos aspectos que devem ser melhorados, com ênfase na alimentação.

"Chegamos aqui nove horas da manhã, olha o horário que o bloco saiu, só deu lanche hoje a gente já comeu tudo, e o almoço, até agora, a gente não tem mais para beber. Não temos água no meio do percurso, temos que nos virar, às vezes, a gente pede até ao pessoal da folia pagar água para a gente", relata Adriana.

Adriana ainda falou sobre o valor recebido para trabalhar como cordeira. A gente tira R$ 110 reais por dia. No Carnaval todo é R$ 660 incluindo o transporte".

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