CARNAVAL 2014
Escola de Samba baiana é batizada pela Império da Tijuca


Nem só abadás (ou mortalhas) e trios-elétricos davam a graça no Carnaval de Salvador. Nas décadas de 60 e 70, escolas de sambas desfilavam pelas ruas soteropolitanas e levavam a alegria para os foliões. Atualmente, os trios e blocos afros dominam o Carnaval, e os antigos desfiles saíram de cena.
Mas, se depender de Alaor Macedo, a folia momesca terá o retorno das escolas de samba. Ele é o fundador do Grêmio Recreativo Escola de Samba Lira Imperial, criada em 2006, mas que será batizada neste sábado, 1º, às 18h, na Praça do Mercado Municipal da Cidade, em Itaparica. O batismo é um rito comum nas agremiações. Quando uma nova surge, é comum convidar alguma antiga para fazer o batismo, que é o cruzamento das bandeiras. A Lira convidou a Império da Tijuca para ser a "madrinha". "A Império foi a primeira a desenvolver um trabalho social nas comunidades e a continuar nelas. Tem uma história muito bonita", diz Alaor.
A Lira Imperial tem dificuldades em um Estado no qual as escolas de samba não fazem mais parte da folia. Isso inclui a falta de mão-de-obra especializada para criar as fantasias, carros alegóricos e adereços, além de locais para desfilar. Mas Alaor não culpa a chegada dos trios elétricos pelo descaso com as agremiações. "O Carnaval tem espaço para todo mundo. Os empresários é que deveriam participar dessa discussão. A estrutura não é cara, pois dá para reaproveitar tudo", destaca.
Na folia de 2013, a Lira Imperial não estará nas ruas de Salvador, mas Alaor promete um desfile especial no dia 29 de março, data que coincide com os aniversários de Salvador e da escola de samba. O fundador ressalta que a função da escola não é desfilar no Carnaval. "É atuar no dia a dia de uma comunidade no ano inteiro que tem o auge durante a folia. Isso seria muito bom para as comunidades de Salvador", conclui.