ENTRE FACADAS E FLASHBACKS
Dark Horse: filme sobre Bolsonaro ganha trailer em meio a polêmicas
Produção sobre a campanha presidencial de 2018 volta aos holofotes após vazamento de roteiro e repercussão sobre financiamento milionário


Em meio às polêmicas envolvendo o financiamento da produção e ao vazamento do roteiro na imprensa, o senador Flávio Bolsonaro divulgou nesta terça-feira, 19, o primeiro trailer de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O filme acompanha a campanha presidencial de 2018, incluindo a facada sofrida pelo então candidato durante uma agenda em Juiz de Fora.
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Com cerca de dois minutos e meio, o trailer foi publicado nas redes sociais e aparece estilizado como se fosse um conteúdo vazado. Na publicação, Flávio classificou o longa como “o trailer mais aguardado do ano” e afirmou que a obra “retrata a história de um verdadeiro herói”.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh, que assina o roteiro ao lado do irmão, Mark Nowrasteh, Dark Horse dramatiza a ascensão política de Bolsonaro durante as eleições de 2018, passando pelo atentado a faca até a vitória nas urnas.
Estrelado por Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, o filme também reúne Marcus Ornellas, Sérgio Barreto, Eddy Finlay e Camille Guaty no elenco. A estreia nos Estados Unidos está prevista para 11 de setembro de 2026.
Apresentado como uma superprodução inspirada no padrão hollywoodiano, Dark Horse foi gravado em inglês e aposta em elenco e equipe criativa majoritariamente norte-americanos para reforçar a proposta internacional do projeto.
Apesar da estética voltada ao mercado externo, a produção é conduzida pela Go Up Entertainment, empresa brasileira que declara sede nos Estados Unidos. O roteiro do longa também leva a assinatura de Mario Frias, ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro e atual deputado federal pelo PL de São Paulo.
Polêmica sobre financiamento
A divulgação do trailer acontece dias depois de reportagens apontarem que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria investido milhões de reais na produção.
Segundo informações divulgadas pelo Intercept, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 em operações relacionadas ao filme, embora o valor negociado pudesse chegar a R$ 134 milhões.
De acordo com a publicação, parte dos recursos teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
O vazamento do roteiro do longa, revelado na imprensa no último dia 15 de maio, também ampliou a repercussão em torno da produção.
O material passou a circular entre apoiadores do ex-presidente como ferramenta de mobilização política em meio ao cenário envolvendo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Em um áudio divulgado pelo Intercept e atribuído a Flávio Bolsonaro, o senador demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados ao filme. “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, teria declarado.


