CINEMA
Dia do Orgulho LGBTQIAPN+: 6 filmes para assistir e celebrar a data
Produções retratam diferentes vivências da comunidade e ajudam a compreender a luta


O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado em 28 de junho, marca a luta por direitos, visibilidade e respeito à diversidade. A data faz referência à Rebelião de Stonewall, em 1969, em Nova York, considerada um dos principais marcos do movimento moderno pelos direitos da comunidade LGBTQIAPN+.
Ao longo das últimas décadas, o cinema também se tornou uma importante ferramenta para contar histórias que antes eram invisibilizadas, abordando temas como identidade, afetividade, preconceito, liberdade e pertencimento.
Para celebrar a data, o portal A TARDE reuniu cinco filmes que ajudam a compreender diferentes experiências da comunidade LGBTQIAPN+ e se destacam pela relevância artística e cultural.
1. Paris Is Burning (1990)

Muito mais que um documentário, Paris Is Burning registra a cena ballroom de Nova York no fim dos anos 1980, ambiente criado por pessoas LGBTQIAPN+, sobretudo negras e latinas, como espaço de acolhimento e expressão.
Dirigido por Jennie Livingston, o longa apresenta competições de dança, moda e performance enquanto acompanha histórias marcadas pela exclusão social, pelo racismo, pela transfobia e pela busca por identidade. Tornou-se uma obra de referência para a cultura pop e influenciou diferentes gerações.
2. O Segredo de Brokeback Mountain (2005)

Dirigido por Ang Lee, o longa acompanha a relação entre Ennis Del Mar e Jack Twist, dois cowboys que se apaixonam durante um trabalho nas montanhas de Brokeback, nos Estados Unidos.
A trama mostra os conflitos vividos pelos protagonistas em uma época em que relacionamentos entre homens eram fortemente reprimidos. Considerado um divisor de águas na representação LGBTQIAPN+ em Hollywood, o filme recebeu oito indicações ao Oscar e venceu três estatuetas.
Até hoje, a derrota para Crash – No Limite na categoria de Melhor Filme é lembrada como uma das decisões mais controversas da premiação.
3. Todos Nós Desconhecidos (2023)

Com direção de Andrew Haigh, o drama mistura romance, fantasia e questões familiares para contar a história de Adam, um roteirista solitário que inicia um relacionamento com um vizinho enquanto revisita traumas da infância.
Interpretado por Andrew Scott, o personagem reencontra simbolicamente seus pais, mortos quando ele ainda era criança, e revisita conversas que nunca pôde ter. Paralelamente, desenvolve uma relação afetiva com Harry, vivido por Paul Mescal.
O longa aborda temas como solidão, luto, aceitação e pertencimento de forma delicada e emocional.
4. Queer (2024)

Baseado na obra de William S. Burroughs, Queer acompanha Lee, personagem interpretado por Daniel Craig, que vive no México e passa seus dias entre festas, álcool e encontros casuais.
Sua rotina muda ao conhecer Eugene Allerton, vivido por Drew Starkey, despertando sentimentos que o levam a confrontar medos, inseguranças e o desejo de estabelecer uma conexão verdadeira.
Sob direção de Luca Guadagnino, o filme aposta em uma narrativa simbólica e introspectiva para discutir desejo, solidão e identidade.
5. Homem com H (2025)

Inspirado na trajetória de Ney Matogrosso, Homem com H retrata a vida de um dos artistas mais revolucionários da música brasileira.
Interpretado por Jesuíta Barbosa, o cantor enfrenta conflitos familiares, desafia padrões impostos pela sociedade e constrói uma carreira marcada pela liberdade artística e pela quebra de tabus.
Embora não tenha como foco principal a pauta LGBTQIAPN+, a cinebiografia evidencia a importância de Ney Matogrosso como símbolo de diversidade, liberdade de expressão e resistência cultural no Brasil, além de revisitar momentos marcantes de sua carreira, como a passagem pelos Secos & Molhados e a relação com Cazuza.
6. Divinas Divas (2016)

Dirigido por Leandra Leal, Divinas Divas resgata a trajetória de oito artistas transformistas que ajudaram a revolucionar a cena teatral e a representatividade LGBTQIAPN+ no Brasil entre as décadas de 1960 e 1970.
O documentário acompanha as histórias de Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios, pioneiras que desafiaram preconceitos e romperam barreiras em um período marcado pela ditadura militar e pela forte repressão à diversidade sexual e de gênero.
Além de celebrar o legado dessas artistas, o longa também se tornou um importante registro histórico. Das oito divas retratadas, apenas Divina Valéria e Eloína dos Leopardos permanecem vivas em 2025. Marquesa morreu logo após o encerramento das filmagens e recebeu uma homenagem especial na obra, tornando-se também o rosto do pôster oficial do documentário.