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CINEMA NACIONAL

Panorama consagra Sérgio Machado: “Falar da Bahia é como falar da minha casa”

Festival baiano exibe mais de 110 filmes e promove atividades com foco no fortalecimento do audiovisual brasileiro

Por Beatriz Santos

04/04/2025 - 17:22 h
Sérgio Machado é o homenageado da 20ª edição do Panorama
Sérgio Machado é o homenageado da 20ª edição do Panorama -

O Panorama Internacional Coisa de Cinema chega à sua 20ª edição consolidado como o mais longevo festival de cinema em atividade na Bahia. Com início na quarta-feira, 2, e encerramento na quarta-feira, 9, o evento ocupa as telas do Cine Glauber Rocha e da Sala Walter da Silveira, em Salvador, além do Cine Theatro Cachoeirano, em Cachoeira.

Mais de 110 filmes serão exibidos, divididos entre mostras competitivas, sessões especiais e exibições não competitivas.

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Além das sessões, o festival se expande com oficinas, laboratórios e debates com cineastas, promovendo discussões essenciais para o futuro do cinema nacional.

A programação completa pode ser conferida no site. Os ingressos no Glauber Rocha custam R$14 (inteira) e R$7 (meia), com a opção de um passaporte para 10 sessões por R$60. Já na Walter da Silveira e em Cachoeira, as exibições são gratuitas.

Seminário de exibição abre discussões sobre o futuro do cinema brasileiro

Pela primeira vez, o Panorama realiza um seminário voltado exclusivamente para a exibição cinematográfica. A iniciativa busca ampliar o diálogo entre distribuidores e exibidores de diferentes regiões do país, especialmente aqueles fora das grandes redes.

Para o distribuidor Ibirá Machado, que participou do evento, a proposta é essencial para enfrentar o abismo entre produção e acesso. “A ideia desse evento é trazer exibidores de vários lugares do Brasil, sobretudo exibidores médios e pequenos. Assim, conseguimos estabelecer um diálogo com os distribuidores independentes, o que é essencial para ampliarmos o espaço do cinema brasileiro nas telas”, afirmou.

Ibirá Machado veio de São Paulo para assistir o Seminário de Exibição
Ibirá Machado veio de São Paulo para assistir o Seminário de Exibição | Foto: Beatriz Santos | Ag. A TARDE

Ele também critica a percepção de que o sucesso pontual de um filme como 'Ainda Estou Aqui' reflete um bom momento para o cinema nacional. “Muitas pessoas passaram a achar que o cinema brasileiro está lindo e maravilhoso. Mas não está. Lançamos cerca de 200 filmes por ano, e a maioria deles tem menos de mil espectadores. Precisamos equilibrar essa balança.”

Segundo Ibirá, o festival também desempenha um papel importante na formação de público. “Eu costumo usar um termo: ‘alfabetização audiovisual’, que significa aprender a assistir aos filmes. O festival é um espaço para isso. No caso do Panorama, ele tem uma excelente seleção de filmes brasileiros em competição, e isso é fundamental para fortalecer esse espaço.”

A necessidade de fortalecer o cinema nacional também foi ressaltada pelo curador do Cine Passeio, em Curitiba, Marden Machado, que participa do Panorama pela primeira vez. “Esperamos sair daqui com um trabalho bem estruturado para atuar de forma mais eficiente junto às distribuidoras, obter melhores condições e garantir suporte para a exibição desses filmes, especialmente nas salas de rua”, comentou.

Marden destacou ainda a importância do Panorama como plataforma para a consolidação de público e a valorização do cinema brasileiro. “Os festivais funcionam como vitrines e espaços de formação de público. Chamar atenção para o cinema produzido no nosso país é uma grande conquista.”

Um olhar autoral e descentralizado

Com foco em obras autorais e cinematografias fora do eixo Rio-São Paulo, o Panorama reafirma seu compromisso com a diversidade do cinema brasileiro. A curadora e uma das organizadoras do festival, Marília Hughes, destaca que a curadoria busca a singularidade das obras.

Marília Hughes é a curadora do Panorama Internacional Coisa de Cinema
Marília Hughes é a curadora do Panorama Internacional Coisa de Cinema | Foto: Beatriz Santos | Ag. A TARDE

“Buscamos obras pessoais, com identidade autoral, que apresentem uma expressão única e uma relação interessante entre forma cinematográfica e tema. Nosso foco está no cinema enquanto linguagem, não apenas na temática abordada”, afirma.

Para ela, o festival representa uma oportunidade única para o público acessar produções que dificilmente chegariam ao grande circuito. “Poucos desses filmes entram em cartaz, e quando entram, permanecem por pouco tempo. O festival se torna um espaço essencial para conhecer uma produção menos comercial, mais autoral e arriscada.”

Marília também ressalta a importância do evento para os realizadores locais. “Acho que o festival tem uma grande importância. Sei que somos uma vitrine, uma janela fundamental para os realizadores baianos. Muitos estreiam seus filmes no Panorama, e o festival se torna um espaço para que possam vivenciar essa troca, entendendo como suas obras funcionam com o público.”

Filmes baianos em destaque

A 20ª edição do Panorama reforça sua importância como berço e trampolim para produções audiovisuais brasileiras. O realizador Klaus Hastenreiter, da Olho de Vidro Produções, é um exemplo de trajetória moldada pelo festival.

“O Panorama contribuiu muito para a formação do meu olhar sobre cinema, principalmente por proporcionar a oportunidade de assistir a filmes de outros lugares e acompanhar o que tem sido produzido aqui”, afirmou.

Neste ano, a produtora exibe três curtas-metragens na Competitiva Baiana: 'Ataques Psicotrônicos', 'Vovó Foi Pro Céu' e 'Borderô'. Para Klaus, mais do que um espaço de exibição, o festival representa um terreno fértil para a troca com o público.

Klaus Hastenreiter faz parte da Olho de Vidro Produções
Klaus Hastenreiter faz parte da Olho de Vidro Produções | Foto: Beatriz Santos | Ag. A TARDE

“Fazemos filmes para que as pessoas os assistam. Gostamos da reação do público, dos feedbacks, sejam eles positivos ou negativos. O Panorama sempre foi um espaço aberto para esse tipo de experiência”, afirmou.

Klaus também celebra a crescente projeção do festival no cenário nacional. “Por ser o maior festival baiano, ganha destaque não apenas localmente, mas também em nível nacional. É muito interessante ver esta 20ª edição comemorativa atraindo tanta gente de fora, não apenas realizadores, mas também jornalistas.”

Homenagem ao cinema baiano

Um dos nomes mais celebrados do cinema baiano contemporâneo, Sérgio Machado é o homenageado da 20ª edição do Panorama. O cineasta relembra que seu primeiro longa, 'Cidade Baixa', foi lançado na mesma época da fundação do festival.

“Acho que minha trajetória se confunde com a do Panorama. Lancei meu primeiro filme, ‘Cidade Baixa’, exatamente há 20 anos, quando o festival começou. Desde então, já perdi a conta de quantas vezes participei com diferentes filmes, entre documentários e ficções. Já apresentei muitos trabalhos aqui e considero o Panorama um espaço fundamental”, afirmou.

Ele também destaca o impacto do evento na formação do público baiano. “Quando o Panorama surgiu, existia uma carência. O festival, por sua longevidade — 20 anos ininterruptos —, conseguiu atender a essa fome de cinema.”

Sérgio reflete ainda sobre sua identidade artística e a relação com sua terra natal. “A Bahia e o Recôncavo Baiano são a minha terra. É o lugar onde posso falar sem pedir licença. Por ser nascido e criado aqui, falar da Bahia é como falar da minha própria casa. É algo muito natural para mim.”

Políticas públicas e reconhecimento institucional

O diretor da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Paulo Alcoforado, destaca o Panorama como peça-chave na valorização do cinema brasileiro. “O Panorama, especialmente em seu 20º aniversário, tem prestado um serviço fundamental para a Bahia, não apenas na promoção do cinema brasileiro e do pensamento crítico, mas também inovando”, afirma.

Ele também ressalta o simbolismo da realização do festival no Cine Glauber Rocha. “O festival também acontece em um espaço que é um verdadeiro templo do cinema brasileiro. O antigo Cine Guarany, que funcionava neste mesmo local, foi palco do Cine Clube da Bahia, idealizado pelo advogado Walter da Silveira no final da década de 1950. Ali, ele exibia filmes brasileiros e estrangeiros, incluindo as vanguardas internacionais, formando toda uma geração de cineastas que viria a compor o ciclo baiano do Cinema Novo.”

Além disso, Alcoforado elogia o pioneirismo do seminário de exibição promovido pelo evento. “Realizar um encontro como este, com exibidores independentes, em um formato inédito no país, é uma ação de grande valor para a cadeia produtiva do audiovisual.”

Paulo Alcoforado destacou o Panorama como peça-chave na valorização do cinema brasileiro
Paulo Alcoforado destacou o Panorama como peça-chave na valorização do cinema brasileiro | Foto: Beatriz Santos | Ag. A TARDE

Por fim, o diretor da Ancine reforça seu reconhecimento ao festival e projeta seu futuro. “Só tenho boas palavras para o Panorama, para esse grande evento do cinema, e desejo que, no próximo ano, quando completar 21 anos e alcançar sua maioridade, continue nos surpreendendo positivamente.”

*Sob supervisão de Bianca Carneiro

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