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Em formato online, décima edição do Olhar de Cinema inicia nesta quarta

Publicado às | Atualizado em 05/10/2021, 21:57 | Autor: Rafael Carvalho | Especial para A TARDE
Zinder: jovens contra a cultura da violência em uma cidade do Níger | Fotos: Divulgação
Zinder: jovens contra a cultura da violência em uma cidade do Níger | Fotos: Divulgação -
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Dando início a mais uma edição a partir desta quarta-feira, 6, à noite, o Olhar de Cinema chega a seu décimo ano com uma proposta sólida e reconhecida pelo público cinéfilo, além de um formato que se adequou bem aos eventos online. Depois de um ano em que os festivais e mostras de cinema tiveram que se por à prova nas plataformas digitais, o Olhar de Cinema conseguiu manter uma programação que oferece um mesmo tipo de cinema desafiador e inquieto.

“Nosso público foi aumentando com o tempo e aderindo à ideia desse cinema com um caráter de invenção de linguagem, de busca de narrativas diferentes, filmes que não sejam deslocados da realidade, do nosso contemporâneo no Brasil e no mundo”, afirma Antônio Gonçalves Jr., diretor artístico do Olhar.

O evento oferece mais de 70 filmes, entre curtas e longas-metragens, nacionais e internacionais, muitos deles inéditos no Brasil. Estão divididos em diversas mostras e praticamente mantêm o mesmo tamanho em termos de programação das edições anteriores, agora podendo ser conferido em qualquer parte do território nacional.

O evento abre nesta quarta, a partir das 20h, com o longa-metragem brasileiro O Dia da Posse, dirigido por Allan Ribeiro. O filme aposta no encontro do cineasta com o jovem Brendo. “Este é um filme feito na pandemia, durante o confinamento, a partir de relações estabelecidas dentro de apartamentos. Tem esse personagem que é também roteirista porque ele vai criando o filme junto com o Allan, e traz uma insatisfação com o país, só que revelando isso a partir de uma fabulação e uma criação muito entusiasmante”, afirma Leonardo Bonfim, da equipe de curadoria.

O evento segue até o próximo dia 14 de outubro e as sessões dos filmes custam R$ 5. Os ingressos já estão disponíveis através do site oficial (olhardecinema.com.br) que servirá também de plataforma para a visualização das obras. Ali é possível acessar a grade de programação do festival já que os filmes entram no ar em datas específicas e se repetem em dois dias durante o evento.

Os filmes ficam disponíveis por 24h (sempre das 6h da manhã de um dia até às 5h59 do dia seguinte), com exceção dos longas de abertura e de encerramento que podem ser acessados a partir das 20h do primeiro e do segundo dia, respectivamente, e não se repetem durante a programação.

Imagem ilustrativa da imagem Em formato online, décima edição do Olhar de Cinema inicia nesta quarta
O Protetor do Irmão: dois amigos curdos em Anatólia (Turquia)

Destaques

A mostra competitiva do Olhar sempre agregou filmes brasileiros e estrangeiros, sem distinções. Dos longas nacionais, estão Sonho do Inútil, de José Marques de Carvalho Jr., sobre jovens da periferia do Rio de Janeiro que passam a fazer vídeos de humor na internet; Rio Doce, de Fellipe Fernandes, em que um rapaz descobre a identidade do pai ausente; e Rolê – Histórias de Rolezinhos, de Vladimir Seixas, acerca dos movimento de ocupação dos shoppings por jovens da periferia há alguns anos, narrado a partir da história de três desses personagens.

Muitos outros filmes nacionais compõem a programação, com destaque para Capitu e o Capítulo (livremente baseado na obra-prima Dom Casmurro, de Machado de Assis), o mais novo trabalho do veterano cineasta Júlio Bressane, ícone do movimento Marginal e que continua fazendo um cinema provocador e de grande apuro estético. Há espaço também para quem tá iniciando no longa, caso do realizador capixaba Bernard Lessa com seu filme A Matéria Noturna.

Dentre as produções internacionais, vale destacar a mostra Foco, que sempre lança luz sobre a obra de um cineasta em atividade e ainda pouco conhecido no Brasil. Este ano, o holofote está no diretor palestino Kamal Aljafari, do qual o Olhar exibirá quatro longas, incluindo seu filme mais recente, Um Verão Incomum, e três curtas-metragens (estes estarão disponíveis gratuitamente no canal de YouTube do Olhar de Cinema).

"O Aljafari tem um cinema muito inventivo e muito militante, a partir de questões ligadas à identidade palestina. A conversa e as relações entre os filmes dele é muito boa, até chegar ao filme mais recente que foi um momento muito especial de ver, uma epifania”, pontua Bonfim.

Outros destaques são os filmes Zinder, de Aicha Macky, sobre um grupo de jovens que tenta se libertar da cultura de violência em uma cidade do Níger; O Protetor do Irmão, do diretor Ferit Karahan, que traz dois amigos curdos na região da Anatólia, na Turquia; As Preces de Delphine, da diretora camaronesa Rosine Mbakam, versando sobre as opressões contra as mulheres africanas; e Estilhaços, da diretora argentina Natalia Garayalde que rememora um acidente numa usina de munições nos anos 1990.

Nossas casas

Já o filme de encerramento é dirigido pela cineasta baiana Letícia Simões, intitulado Nós. Seu longa anterior foi Casa – lançado, inclusive, no Olhar de Cinema – e ali a cineasta passava a limpo seu passado e sua relação de desamor com a cidade de Salvador.

Nada mais apropriado agora que seu novo filme investigue a noção de pertencimento e o sentimento de se sentir em casa em uma cidade ou país que não o seu de nascimento. O filme se constrói a partir do encontro com seis artistas de diferentes nacionalidades que acabaram indo morar em outro lugar – um deles é o cineasta brasileiro Karim Aïnouz, hoje radicado na cidade de Berlim.

“O festival começa com um filme retratando um confinamento e termina com um filme sobre viajar, sair de casa e a relação com personagens nômades, andarilhos pelo mundo. Um filme sobre deslocamentos em diferentes níveis, não só sair literalmente de casa, mas de ir para outro lugar, o que de alguma forma é o que o cinema também nos possibilita”, observa Bonfim.

Os filmes do Olhar de Cinema vêm acompanhados de um debate pré-gravado com a equipe de programação e os realizadores, podendo ser acessado no YouTube ou no site do evento. Haverá ainda uma série de debates que compõem o seminário online do festival.

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