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Há 90 anos nascia Marilyn, um mito do cinema

Publicado quarta-feira, 01 de junho de 2016 às 07:26 h | Atualizado em 31/05/2016, 22:43 | Autor: Adalberto Meireles l Jornalista
Marilyn Moroe
Marilyn Moroe -
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Três filmes realizados em 1953 lançam Marilyn Monroe definitivamente ao estrelato: o noir Torrentes de Paixão, de Henry Hathaway, em que aparece como uma mulher fatal que planeja matar o marido Joseph Cotten nas cataratas do Niagara; Os Homens Preferem as Loiras, de Howard Hawks, com Jane Russel, que repete a imagem de mulher bonita, ingênua e sedutora inicialmente trabalhada pelo mesmo diretor em O Inventor da Mocidade, de 1952; e Como Agarrar Um Milionário, de Jean Negulesco, novamente no papel de uma caçadora de fortuna ao lado de Betty Grable e Lauren Bacall.

Todos impactantes, revelam em grande escala uma sex symbol que deixa o público ora atônito, ora revoltado pelo conteúdo considerado imoral de uma garota  caras e bocas, de voz sussurrante e andar ostensivamente insinuante. MM acaba de ser notada como coadjuvante em dois filmes referenciais - O Segredo das Joias, de John Huston, e A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz (1950) - e por finalmente admitir que é a loira fotografada nua sobre um lençol de cetim vermelho para o calendário Golden Dream, do fotógrafo Tom Kelly, publicado no primeiro número da Playboy.

Na segunda metade dos anos 1940, Marilyn era apenas Norma Jeane Morteson, uma modelo de sucesso que já havia aparecido em mais de 30 capas de revistas. Seu nome artístico veio de Marilyn Miller, uma estrela da Broadway, e do sobrenome de solteira da mãe, Gladys Pearl Monroe, que foi declarada mentalmente incapaz de cuidar da filha,  depois de dois relacionamentos desfeitos. A menina criada em orfanato e  sob a guarda de famílias, abusada sexualmente  ainda criança, que nunca soube quem era seu pai biológico e casou pela primeira vez  aos 16 anos, agora, quase dez anos depois de começar fazendo ponta em filmes, não quer mais ser a 'loira burra'.

Estrela

Ela atiça os sentidos, move-se como uma deusa cintilante, rebela-se, funda a própria produtora, mantém-se como uma estrela difícil, já com o uso de álcool e barbitúricos, e aborrece diretores como Billy Wilder, que mesmo assim a dirige em duas obras-primas:  O Pecado Mora ao Lado (1955), com a sequência antológica do respiradouro do metrô que esvoaça o vestido e mostra a calcinha e o belo par de pernas, e Quanto Mais Quente Melhor (1959), em que faz a corista de uma banda feminina que se junta a dois músicos travestidos, fugindo de uma gang de Chicago.

Nunca Fui Santa (1956), de Joshua Logan,  marca o retorno de Monroe a Hollywood, depois de romper com a 20th Century Fox e passar um ano em Nova York, aperfeiçoando-se com o método de Stanislavski no Actors Studio. MM faz então O Príncipe Encantado (1957), de Laurence Olivier - este pelo seu próprio estúdio, o Marilyn Monroe Productions -, o citado Quanto Mais Quente Melhor, e mais dois grandes filmes: Adorável Pecadora (1960), de George Cukor, com Yves Montand, e Os Desajustados (1961), de John Huston, contracenando com Clark Gable e Montgomery Clift, e com roteiro do seu terceiro marido,  Arthur Miller. Enfim, uma verdadeira atriz

Os Desajustados foi o último filme que concluiu. Logo depois, começou a fazer o atribulado Something Got to Give. No meio da produção, abandonou o estúdio e foi para NY cantar o antológico Parabéns Pra Você no aniversário do presidente John F. Kennedy, seu amante. De volta a Hollywood, assinou novo contrato com a produção, mas morreu em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos.  Algumas semanas antes de sua morte posou em um ensaio desconcertante para Bert Stern, que sonhava fotografar a estrela nua. Fecharam-se em uma suíte de um hotel de Los Angeles para a produção das últimas fotos da atriz.

Ícone pop

Nascida em Los Angeles, no dia 1º de junho de 1926, Marilyn permanece um dos símbolos mais fortes do cinema do século 20, senão o maior. Não há quem nunca tenha ouvido falar da diva. Livros, revistas, fotos, filmes, biografias e emulações tornaram-na um ícone pop.  Andy Warhol pintou uma série de retratos da deusa platinada. Madonna, com o clipe Material Girl, do disco Like a Virgin (1984), fez uma releitura da antológica sequência em que a atriz canta e dança Diamonds Are Gir's Best Friends em Os Homens Preferem as Loiras. Mas, se se deslocasse para hoje - no lugar do politicamente correto e do empoderamento femininino -, será que o mito se reinventaria?

MM morreu sozinha em sua casa em Los Angeles com a mão no telefone.  A versão que conta é que a atriz foi vítima de uma overdose de álcool com barbitúrico. "Ela tinha fome de amor e lhe oferecemos tranquilizantes", escreveu Ernesto Cardenal na Oração por Marilyn Monroe, em 1965.

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