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Amazônia Azul é Destino

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Zilan da Costa e Silva
Por Zilan da Costa e Silva
Imagem ilustrativa da imagem Amazônia Azul é Destino
Foto: Acervo pessoal

Salvador não é apenas uma cidade à beira-mar. É um ponto de articulação histórico, geográfico e simbólico da Amazônia Azul, expressão máxima da vocação marítima do Brasil. Foi a partir da Baía de Todos os Santos que o país se integrou ao Atlântico, estruturou rotas comerciais, formou elites mercantis, desenvolveu técnicas navais e consolidou uma cultura profundamente ligada ao mar. Hoje, quando o mundo redescobre os oceanos como fronteira econômica decisiva, Salvador não reivindica um papel novo, mas reencontra o seu lugar natural: o de capital estratégica da economia azul brasileira.

A economia azul não é uma abstração ambiental nem um conceito de marketing institucional. Trata-se do reconhecimento de que o mar concentra ativos centrais da economia contemporânea: circulação de mercadorias, energia, alimentos, minerais, dados, conhecimento e soberania. Transporte marítimo, portos, estaleiros, indústria offshore, economia do petróleo e do gás, energias renováveis marinhas, pesca sustentável, aquicultura, turismo náutico, biotecnologia marinha, cabos submarinos e serviços associados formam um sistema integrado, intensivo em capital, tecnologia e trabalho qualificado. Poucas cidades brasileiras reúnem tantas condições objetivas para liderar esse processo quanto Salvador.

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A cidade dispõe de vantagens estruturais raras: localização privilegiada no Atlântico Sul, porto natural profundo e protegido, tradição logística, base industrial instalada, estaleiros, proximidade com áreas de exploração offshore, universidades e centros de pesquisa, mão de obra jovem e uma identidade cultural moldada pelo mar. Além disso, Salvador ocupa posição estratégica na articulação entre o Nordeste, o Sudeste e as rotas internacionais, podendo funcionar como plataforma de serviços marítimos, hub logístico e centro de decisões para a economia do mar.

Entretanto, potencial não se converte automaticamente em desenvolvimento. É preciso esforço. Salvador precisa assumir, de forma explícita e coordenada, um projeto de economia azul. Isso significa integrar porto e cidade, modernizar a governança portuária, ampliar a eficiência logística, destravar investimentos em infraestrutura, fortalecer a indústria naval e offshore, qualificar mão de obra, estimular inovação e alinhar rigor ambiental com competitividade econômica. Exige também articulação permanente entre município, estado, União, setor privado, academia e Marinha do Brasil, sob uma visão estratégica clara e de longo prazo.

A Amazônia Azul não começa no horizonte distante. Ela começa no cais, no estaleiro, no laboratório, no planejamento urbano e na decisão política. Se o Brasil pretende ocupar um lugar relevante no século dos oceanos, Salvador não pode ser coadjuvante. Deve liderar, formular e executar. O mar sempre esteve à nossa frente. O que falta agora não é discurso, é ação organizada, ambição e coragem institucional.

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