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ACB EM FOCO

As lideranças produtivas e a transformação das anomalias políticas brasileiras

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Paulo Cavalcanti, presidente da  Associação Comercial da Bahia (ACB)
Por Paulo Cavalcanti, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB)
Paulo Cavalcanti, presidente da  Associação Comercial da Bahia (ACB)
Paulo Cavalcanti, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) - Foto: Divulgação

Diferentemente de países como os Estados Unidos, onde o lobby é institucionalizado e dá voz aos grandes temas de desenvolvimento socioeconômico, no Brasil, temos uma elite política que faz as leis e segue concentrando o poder, mesmo que, historicamente, sem a devida eficiência, transparência e retorno social. Para transformar estas estruturas públicas ineficientes é urgente que as lideranças das classes produtivas despertem para a participação de forma unida e estratégica.

Combater essas anomalias requer organização e ação coletiva e suprassegmental das instituições dos setores produtivos, como confederações, federações, associações, sindicatos e outras entidades. Se pensarmos em atribuir estas demandas apenas a uma determinada elite econômica, perpetuaremos a desconexão que enfraquece nossa capacidade coletiva. Assim, é preciso ainda aumentar nosso efetivo e incluir, por exemplo, os “empresários raiz” – aqueles que enfrentam desafios diários na informalidade.

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Em 2024, a reforma tributária mostrou que mudanças estruturais só vão ocorrer com mobilização e unidade entre empresários e lideranças associativistas. Agora, precisamos pautar um desafio ainda maior: uma reforma administrativa que aborde o peso do Estado, os distorcidos benefícios de muitos servidores e a ineficiência dos serviços públicos. Mesmo que tratada como “mexer em um vespeiro”, essa reforma interessa a todos e é fundamental para a sustentabilidade do Brasil, pois a ineficiência pública afeta a vida dos mais vulneráveis e impacta os investimentos daqueles que sustentam a máquina pública.

É urgente que essas lideranças atuem como interlocutoras entre o setor produtivo e as frentes parlamentares, criando e apoiando leis que beneficiem todos os brasileiros. Só assim conseguiremos aprovar pautas estruturais, como as regulamentações tributárias e a reforma administrativa, essenciais para corrigir distorções políticas e econômicas.

Nosso contexto político é marcado por uma elite que legisla para perpetuar-se no poder, concentrando privilégios e negligenciando eficiência e interesse público. Precisamos reverter este cenário e garantir que a criação de leis seja um instrumento de transformação para todos os cidadãos, e não uma ferramenta de autopreservação de um sistema político ineficiente.

Quando as lideranças das classes produtivas entenderem que a união é a chave, poderemos transformar essa realidade. Assim, fortaleceremos as instituições que nos representam, apoiaremos frentes parlamentares comprometidas com pautas estruturantes e, principalmente, traremos para esse movimento todos os empresários, formais e informais, que enfrentam os desafios de produzir em um País complexo como o nosso.

A Associação Comercial da Bahia, como secular espaço de articulação e liderança, convida todos os setores produtivos a participarem dessa luta. Nossa missão é promover uma nova cultura de cidadania participativa, onde cada ator produtivo compreenda seu papel na transformação do Brasil. O momento exige visão estratégica, união e atitude. A força de nossa classe produtiva pode e deve ser a força de aglutinação do Brasil.

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