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China: o que parece tão longe está mais perto do que a gente imagina

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Nicolau Eloy*
Por Nicolau Eloy*
Imagem ilustrativa da imagem China: o que parece tão longe está 
mais perto do que a gente imagina
Foto: Reprodução

Tive a oportunidade de ir à China pela Associação Comercial da Bahia, para fazer um curso de negócios na Shanghai Business School, a convite do Ministério do Comércio da China. Foram 15 dias por lá. E foi esse tempo, vivendo o país por dentro em vez de lê-lo de longe, que me fez compreender o que tento resumir neste artigo.

Quando pensamos em China, pensamos em distância no mapa, na cultura e na mentalidade. Crescemos lendo o mundo a partir do Ocidente e tratamos o Oriente como um lugar de regras que não são as nossas. Fui até lá esperando exatamente isso e encontrei uma coisa que não esperava: um país muito mais parecido com o Brasil do que qualquer leitura à distância faz imaginar.

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Os hábitos são outros e o jeito de fechar negócio tem códigos próprios. Mas você senta à mesa e percebe que o miolo é familiar. Negócio na China se faz na base do relacionamento.

O que mais impressiona, porém, não é apenas o tamanho da economia chinesa, mas a forma como ela foi construída. Em poucas décadas, o país promoveu uma transformação que tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza e se tornou uma das maiores economias do mundo. Nada disso aconteceu por acaso. Houve planejamento, continuidade e uma visão que atravessa governos.

Existe a ideia de que tudo na China é decidido pelo Estado. A realidade é mais complexa. O país estimula a concorrência, a inovação e o empreendedorismo, criando um ambiente em que empresas disputam espaço e são incentivadas a pensar no longo prazo. Mesmo diante de problemas que existem em qualquer lugar, como a corrupção, o foco permanece na execução e na continuidade dos projetos.

Essa talvez seja a maior lição para nós. Como construir um futuro quando os planos mudam a cada quatro anos? A China mostra que desenvolvimento não é resultado de uma medida isolada, mas da capacidade de manter uma estratégia ao longo do tempo. Trabalho duro e criatividade nós temos. O desafio é transformar essas qualidades em políticas e projetos que sobrevivam às mudanças de governo.

Por isso vale conhecer a China. Não só para trazer negócio de lá para cá, mas para levar o nosso daqui para lá. Eles querem isso, e gostam disso. O mundo que parecia tão distante, quando você chega, é estranhamente familiar. E vem cheio de aprendizado que cabe na nossa realidade.

*Empresário e coordenador da Câmara de Novos Negócios da ACB 

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