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ACB em Foco

Por Paulo Cavalcanti*

ACERVO DA COLUNA
Publicado quarta-feira, 21 de janeiro de 2026 às 4:09 h | Autor:

E aí? Até quando vão colocar mais carga no burro?

Coluna ACB em Foco nesta quarta-feira, 21

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Paulo Cavalcanti
Paulo Cavalcanti -

Há uma fábula antiga, atribuída a Esopo, que atravessou séculos porque continua atual.

Um burro era usado para carregar peso. Dia após dia, colocavam mais carga. Sempre havia uma justificativa: “é só mais um pouco”, “ele aguenta”, “depois a gente alivia”.

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O burro seguia andando, não porque era fraco, mas porque era resistente. Até que um dia a carga ficou pesada demais, o burro caiu, e o prejuízo foi total.

A lição é simples: não é o peso isolado que destrói; é o acúmulo do abuso.

O Brasil vive exatamente isso. Pagamos imposto em tudo. No que ganhamos, no que consumimos, no que produzimos, no que investimos. Pagamos no que doamos e até no que tentamos construir.

Pagamos quando trabalhamos, quando compramos comida, quando adoecemos e quando tentamos empreender. Pagamos quando sobra e até quando não sobra.

E, mesmo assim, sempre dizem que ainda não é suficiente. E assim, nos empurram mais imposto, mais taxa, mais “contribuição temporária”, mais “ajuste necessário”. Sempre mais carga sobre o mesmo burro.

Enquanto isso, o outro lado da equação permanece intacto: corrupção, desvios, escândalos recorrentes, ineficiência crônica, instituições que falham, não respondem, criam sigilo e escondem.

Nós pagamos, eles desperdiçam. Pagamos de novo, eles desviam. E a resposta oficial é sempre a mesma: “o cidadão precisa fazer sua parte”.

Mas espera... que parte é essa que só o cidadão cumpre? Afinal, quando falta saúde, a culpa é da “demanda”; quando falta educação, a culpa é da “família”; quando falta segurança, a culpa é da “sociedade”; quando o sistema quebra, a culpa é de quem produz.

A culpa nunca é do sistema, da má gestão, da corrupção sistêmica ou de quem governa mal.

E não venha com essa história de direita ou esquerda. Aqui não cabe ideologia. É tudo cultural.

Quem paga imposto não é partido. É o povo, o trabalhador, o empresário, o informal, o jovem e o aposentado. É você.

O problema não é o burro; é a carga injusta. Não é a falta de força; é o excesso de peso.

Toda sociedade tem um limite. E explorar a resistência não é governar; é empurrar para o colapso.

Por isso, sim: isso é da sua conta. Porque quando o burro cai, o prejuízo não é apenas de quem colocou a carga. É de todos.

O Brasil não começa em Brasília. Não começa no Congresso nem no Supremo. O Brasil começa em mim, começa em você.

E a pergunta que fica é simples, direta e inevitável: E aí? Isso é da nossa conta?

Até quando vamos assistir passivos em quanto colocam mais carga no burro?

*Paulo Cavalcanti – Presidente do Conselho Superior da ACB

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