Eleições: Mais que nomes, o Brasil precisa de um plano
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O Brasil cresceu pouco e mal nas últimas décadas. Enquanto outros países avançaram ao articular produtividade, educação e investimento em infraestrutura e inovação, o Brasil se acomodou em um modelo que priorizou apenas busca pela estabilidade nominal, entre receitas e despesas, e falhou na promoção da melhoria efetiva da qualidade de vida da população.
O contraste é evidente. Coreia do Sul, Vietnã, China, Indonésia e Índia seguiram trajetórias distintas entre si, mas com um ponto comum: todos trataram crescimento, investimento e transformação produtiva como objetivos explícitos de Estado. Entenderam que a verdadeira riqueza de uma nação está na sua capacidade de produzir, inovar e gerar oportunidades. No Brasil, o desenvolvimento passou a ser tratado como secundário, quase um efeito colateral, e não como um projeto nacional.
Esse desequilíbrio aparece com clareza na área social. Avançamos no acesso à educação, mas fracassamos na qualidade. A formação oferecida é insuficiente para preparar cidadãos, ampliar a produtividade e sustentar uma economia mais moderna. Sem educação de qualidade, não há inclusão social duradoura, nem melhora consistente em saúde e segurança pública.
A falta de crescimento estruturado também limita a capacidade do Estado de investir onde mais importa e que leve à transformação de fato da sociedade. Juros persistentemente elevados drenam recursos públicos que poderiam ser direcionados à educação, à segurança, à infraestrutura social e à geração de emprego e renda. Estabilidade é necessária, mas não pode ser um fim em si mesma quando convive com serviços públicos frágeis e desigualdades profundas.
Além disso, tratar o controle da inflação como objetivo isolado ignora problemas estruturais do país, como baixa produtividade, desigualdade regional e carências históricas nas políticas sociais. O resultado é um país formalmente estável, mas socialmente vulnerável. A expansão do PIB não reflete no desenvolvimento real das pessoas. Cerca de 28,8 milhões de crianças e adolescentes (0 a 17 anos) ainda vivem sem acesso a um conjunto de direitos básicos no país, como acesso à educação, água potável, saneamento, moradia adequada e saúde. Esse número representa mais da metade da população infantil e juvenil do Brasil em 2023.
O Brasil precisa repensar seu modelo de desenvolvimento. A política econômica deve estar integrada a um projeto que coloque as pessoas no centro das decisões, que transforme estabilidade em bem-estar e crescimento em qualidade de vida.
Mais do que discutir nomes ou governos, o país precisa de um plano, que articule crescimento econômico com desenvolvimento social, educação de qualidade e segurança pública eficiente — porque, no fim, a verdadeira riqueza de uma nação está na sua população e na capacidade de produzir.
*Presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB)
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