ACB EM FOCO
Fim da escala 6x1 pressiona varejo de shoppings
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A aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que acaba com a escala 6x1 e diminui a jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial acendeu um sinal de alerta entre os lojistas de shopping centers. O texto, que agora segue para análise do Senado, prevê a adoção da jornada 5x2, garantindo dois dias de descanso remunerado por semana.
Embora a medida tenha como objetivo ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores, empresários do varejo avaliam que a mudança pode provocar impactos significativos na operação das lojas, especialmente nas chamadas lojas satélites, que são os pequenos estabelecimentos, quiosques, operações de alimentação rápida e serviços que trabalham com equipes reduzidas.
Hoje, grande parte dessas empresas funciona com escalas enxutas. Em muitos casos, dois vendedores se revezam nos turnos enquanto gerentes e proprietários ajudam a cobrir horários de almoço, folgas e eventuais ausências. Com a adoção da escala 5x2, cada funcionário passa a ter menos dias disponíveis para compor a escala semanal.
Na prática, para manter o mesmo horário de funcionamento, as empresas terão de contratar mais trabalhadores ou reduzir a cobertura em determinados períodos. O desafio é ainda maior porque os shoppings operam em jornadas extensas, normalmente entre 10 e 12 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados, justamente os períodos de maior fluxo de consumidores.
Outro efeito direto está no custo da mão de obra. Com a redução da jornada de 44 para 40 horas e a manutenção dos salários, o custo por hora trabalhada sobe cerca de 10%. Quando entram na conta encargos, benefícios, treinamento, transporte e adicionais previstos em convenções coletivas, o impacto financeiro tende a ser ainda mais expressivo.
As consequências podem ser sentidas tanto pelos empresários quanto pelos trabalhadores. Sem condições de ampliar o quadro de pessoal, algumas lojas poderão reduzir equipes em determinados horários, aumentar a dependência de gerentes e proprietários na operação diária ou rever investimentos e planos de expansão. Em situações mais delicadas, pequenos negócios poderão enfrentar dificuldades para manter a abertura integral da loja.
Os shopping centers também podem ser pressionados a discutir flexibilizações de horários e regras de funcionamento. Para o varejo, a mudança representa uma transformação estrutural que exigirá reorganização das escalas, revisão de custos e adaptação do modelo de operação para preservar empregos e garantir a sustentabilidade dos negócios.
*Presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers