Instituições fortes não são opção. São condição
Confira a coluna ACB em Foco

O Brasil atravessa um dos momentos institucionais mais delicados das últimas décadas. Escândalos sucessivos. Conflitos entre Poderes. Decisões que ampliam a percepção de insegurança jurídica. Um ambiente público cada vez mais marcado por tensão e instabilidade. Isso não pode ser naturalizado.
A ciência comportamental demonstra que o ser humano tende a decidir movido pela emoção. Primeiro reage, depois racionaliza. Essa é uma característica da natureza humana.
O cidadão pode oscilar. Pode se indignar. Pode se deixar conduzir por narrativas. Mas as instituições não têm essa prerrogativa.
Instituições existem para garantir estabilidade, previsibilidade e impessoalidade. São elas que sustentam a confiança coletiva e permitem que a democracia funcione com equilíbrio. Quando a solidez institucional é colocada em dúvida, o impacto não é abstrato.
Atinge o trabalhador formal, que depende do crescimento econômico para manter seu emprego. Atinge o desempregado, que precisa de um ambiente seguro para que novas vagas sejam criadas.
Atinge o trabalhador informal, que necessita de estabilidade para empreender com segurança. Atinge o pequeno e médio empresário, que depende de previsibilidade para investir e expandir.
Instituições frágeis elevam o custo do crédito. Reduzem investimentos. Retardam decisões empresariais. Comprometem o crescimento.
Não se trata de debate ideológico. Trata-se do funcionamento adequado das regras. Democracia não é governo de impulsos. É governo de normas.
A sociedade brasileira — em todas as suas camadas — precisa compreender que a estabilidade institucional não é privilégio de grupos. É patrimônio coletivo.
Não basta reagir emocionalmente aos fatos. É necessário elevar a capacidade de análise, exigir responsabilidade e defender a previsibilidade das instituições.
A classe produtiva tem responsabilidade histórica neste momento. Não como espectadora, mas como agente de equilíbrio e maturidade institucional. O Brasil não pode conviver com a erosão da confiança como se fosse parte do cotidiano. Confiança é o ativo central de qualquer nação.
A Campanha Nacional da Autoestima Cidadã Produtiva nasce dessa consciência: fortalecer a responsabilidade coletiva e lembrar que o país não se sustenta apenas por discursos, mas por instituições sólidas.
O futuro do Brasil não é abstrato. O futuro do Brasil é da nossa conta. E ele começa agora.
* Paulo Cavalcanti é presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
