O papel da controladoria para uma gestão sustentável
Coluna ACB em Foco desta quarta-feira, 28

Falar em gestão sustentável nas entidades representativas, não é aderir a modismos nem repetir conceitos em voga. É tratar com seriedade da capacidade institucional de atravessar o tempo com equilíbrio, coerência e responsabilidade. Nesse processo, a controladoria não é acessório administrativo; é eixo estruturante da boa governança.
Toda organização comprometida com sua missão precisa responder, de forma contínua, a três perguntas essenciais: está sendo eficiente no uso dos recursos? Está sendo eficaz no cumprimento de seus objetivos? Está sendo efetiva no impacto de suas decisões ao longo do tempo? A eficiência diz respeito ao uso racional dos meios. A eficácia, ao alcance das metas. A efetividade, aos resultados reais gerados no curto, médio e longo prazos. Sem essa tríade, não há sustentabilidade institucional possível.
A controladoria existe para dar consistência a essas respostas. Sua função é organizar, integrar e qualificar informações, acompanhar resultados e antecipar riscos. Orienta decisões, confere método à gestão e assegura responsabilidade com a instituição, seus associados e a sociedade.
A vivência prática na contabilidade empresarial demonstra que a ausência de controladoria fragiliza decisões, amplia riscos e compromete a longevidade das organizações. A experiência acumulada na condução de empresas contábeis evidencia que números, quando não acompanhados por método, contexto e análise crítica, perdem sua função estratégica e passam a induzir erros estruturais.
Gestões sem controladoria tendem a operar no improviso, reagindo às urgências do momento e confundindo atividade com resultado. Já uma gestão orientada por controladoria estabelece rotinas de acompanhamento e indicadores objetivos, corrige desvios em tempo hábil e sustenta decisões com base em dados. Esse princípio se aplica a empresas, entidades associativas e organizações públicas ou privadas.
Na Associação Comercial da Bahia, essa compreensão é particularmente relevante. Administrar uma instituição com mais de dois séculos de história exige rigor técnico, zelo institucional e responsabilidade intergeracional. Cada decisão carrega impactos financeiros, reputacionais e simbólicos. Nesse contexto, a controladoria atua como guardiã da coerência entre propósito, planejamento e execução.
Sustentabilidade institucional não se resume ao equilíbrio das contas. Envolve continuidade, credibilidade, confiança e capacidade de adaptação. Pressupõe respeito ao passado, gestão responsável do presente e preparação consciente do futuro. Nada disso se constrói sem controle qualificado.
A boa controladoria transforma dados em informação útil, orienta escolhas estratégicas e protege a instituição de riscos que não se revelam de imediato, mas cobram seu preço ao longo do tempo. Gestão sustentável não nasce do improviso. Nasce da disciplina, da clareza e da disposição permanente para acompanhar, avaliar e corrigir rotas.
Quando bem compreendida, a controladoria deixa de ser vista como entrave e passa a ser reconhecida como aliada da boa gestão e da longevidade institucional.
*Maria Constança Carneiro Galvão, Contadora, empresária contábil e vice-presidente de Administração, Financeira e de Patrimônio da Associação Comercial da Bahia
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
