MADE IN BAHIA
O tarifaço americano e a economia baiana
Confira a coluna Made In Bahia desta terça-feira, 21


A decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas de importação sobre diversos produtos nacionais reacendeu uma preocupação antiga do comércio internacional: quando as maiores economias endurecem políticas comerciais, os efeitos ultrapassam suas fronteiras. Para a Bahia, apesar de, segundo a Fieb, apenas 7,1% das exportações baianas serem para os EUA, o impacto pode ainda ser relevante, exigindo rápida adaptação do setor produtivo local.
Os segmentos mais expostos são aqueles que possuem participação significativa no mercado americano. O setor de celulose, um dos principais produtos da pauta exportadora baiana, pode enfrentar redução de competitividade caso os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos aumentem. A indústria química e petroquímica básica, concentrada no Polo de Camaçari, além da produção de plásticos, borracha e pneus, também podem sofrer com menor demanda e maior concorrência internacional, especialmente se houver redirecionamento da produção de outros países para mercados onde a Bahia atua.
Outro setor sensível é o de frutas e produtos agroindustriais. Embora a diversificação de destinos tenha avançado nos últimos anos, os Estados Unidos continuam sendo um mercado importante para frutas tropicais e derivados do cacau. Tarifas maiores reduzem margens, pressionam preços e podem comprometer investimentos e geração de empregos.
Por outro lado, alguns setores ficaram fora do tarifaço, e assim o momento também cria oportunidades. Empresas exportadoras tendem a acelerar a busca por novos mercados na Europa, Ásia, Oriente Médio e América Latina. A Bahia reúne vantagens competitivas importantes, como localização estratégica, capacidade portuária, disponibilidade de energia renovável e uma produção agroindustrial diversificada, fatores que favorecem essa expansão.
Nesse cenário, o poder público e as entidades representativas também possuem papel relevante. A negociação constante para ampliação das exceções, a ampliação da promoção comercial internacional, o fortalecimento da infraestrutura logística, a redução do chamado “Custo Brasil” e o apoio às pequenas e médias empresas exportadoras podem minimizar os efeitos negativos do tarifaço e ampliar a competitividade baiana.
A história demonstra que barreiras comerciais costumam gerar dificuldades no curto prazo, mas também podem acelerar transformações. Para a Bahia, o desafio será converter um ambiente externo mais restritivo em oportunidade para diversificar mercados, sofisticar sua pauta exportadora e fortalecer sua presença no comércio internacional. Quem agir rapidamente poderá sair desse processo mais competitivo e menos dependente de um único destino para suas exportações.