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ARMANDO AVENA

A Bahia, a Transoceânica e o porto chinês no Peru

Confira a coluna do economista Armando Avena

Armando Avena
Por Armando Avena
Obras da Fiol
Obras da Fiol - Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Uma série de investimentos em infraestrutura estão sendo avaliados e/ou implantados visando criar corredores ferroviários que possam unir os oceanos Atlântico e Pacífico e facilitar o comércio entre a América do Sul e a Ásia. E a Bahia tem boas chances de se inserir nesses corredores desde que monte a infraestrutura necessária em tempo hábil.

O corredor no sentido Oeste-Leste que interligará o Brasil e se estenderá até o Peru é o que parece mais viável no momento com a construção da Ferrovia Transoceânica, pensada desde os anos 50 pelo engenheiro Vasco Neto, um projeto que vai viabilizar a ligação do oceano Atlântico, no litoral brasileiro, com o oceano Pacífico, no litoral peruano.

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A Bahia entra nesse projeto por causa da Fiol – Ferrovia Oeste-Leste, que vai se entroncar com a Ferrovia de Integração Centro Oeste (FICO) e com a Ferrovia Norte-Sul (FNS), interligando grandes áreas produtoras aos portos.

O traçado da Fiol, prevê um primeiro trecho ligando Ilhéus a Caetité, já com 80% construído e tem como concessionária a Bamin Mineração. Depois, a Fiol II, que liga Caetité a Barreiras, e teve a ordem de serviço para a conclusão dos últimos 140 quilômetros de extensão e montagem de uma superestrutura ferroviária na ponte sobre o Rio São Francisco, lançada esta semana. Por último, a Fiol III, com a ligação de Barreiras a Mara Rosa em Goiás entroncando-se com a Fico e com a ferrovia Norte Sul. Daí se seguiria até atingir o Peru.

Esses trechos ferroviários são economicamente viáveis, não só porque tem carga em toda sua extensão, como também porque a Transoceânica interessa diretamente a China, que está construindo o Porto de Chancay, um porto de águas profundas no Peru, que será o maior da América Latina, representando um investimento de US$ 3,6 bilhões e criando uma nova rota de comércio já chamada de "Xangai-Chancay" ou “Nova Rota da Seda” e que vai revolucionar o comércio da Ásia com a América do Sul e aproximar os mercados asiáticos do Brasil, especialmente de alguns estados.

Tendo 60% do seu controle nas mãos da Cosco Shipping, empresa estatal chinesa de transporte marítimo e logística e o restante com a mineradora peruana Volcan, o porto de Chancay é um gigante que terá 15 cais e em sua fase inicial movimentará 1 milhão de contêineres por ano.

Estima-se que as exportações poderão sair do continente americano e chegar à China em 10 dias, contra os 45 dias de hoje e o valor do frete e das operações logísticas vão se reduzir significativamente. Há quem se preocupe com a invasão de produtos chineses, mas o comércio exterior é via de mão dupla.

A Bahia tem o desafio de montar a infraestrutura ferroviária e portuária no tempo certo para integrar-se aos corredores de exportação/importação que se formarão com a inauguração do terminal portuário multifuncional de Chancay, prevista para o final de 2024, com a presença do presidente da China, Xi Jinping,

O Secretário do Programa PPI da Casa Civil do governo federal, Marcus Cavalcanti, que já chama a Fiol de Transoceânica, me diz que com a conclusão do último trecho, um investimento de R$ 365 milhões, já contratado e com entrega prevista para 2026, a Fiol II estará pronta. E aí a previsão é fazer uma concessão global que inclua a operação da Fiol II e a construção da Fiol III, ligando Barreiras a Mara Rosa em Goiás, bem como a finalização dos trechos da Fico, que terá recursos das outorgas, ora em negociação.

Nesse cenário, é fundamental que a Bamin Mineração conclua a Fiol I e o Porto Sul até 2027, como está previsto. Com isso, a Bahia estaria fazendo sua parte e montando a infraestrutura adequada para ser um player no corredor de exportação e importação da Ferrovia Transoceânica. Mas o tempo urge!

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Tags

comércio internacional corredores transoceânicos Ferrovia Transoceânica infraestrutura ferroviária investimentos em transporte Porto de Chancay

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